É uma peça de Hermann Broch, tem encenação de Micaela Cardoso, José Roseira e representação de Micaela Cardoso e é uma co-produção do Teatro Nacional de São João. Poderão assistir no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto, de 12 a 22 de Fevereiro.
“É considerada a mais bela história de amor da literatura alemã.” É assim que Hannah Arendt classifica a Criada Zerlina, narrativa que o filósofo e romancista austríaco Hermann Broch, uma das figuras maiores do Modernismo, inseriu no romance Os Inocentes, publicado em 1950, um ano antes da sua morte.
Personagem inesquecível, pela força do retrato que traça de si mesma perante um estranho que se apaga (denominado apenas pela letra maiúscula A.), Zerlina é uma velha criada que, num exercício de retrospeção, expõe uma história de paixão e desejo que a envolve a si, à patroa e ao amante desta. Um relato atravessado pelo ressentimento sexual e classista, por um erotismo possessivo e primitivo e por uma obsessão ética, no qual a personagem de Broch vai desdobrando o seu estatuto: criada, amante, precetora, espia, instigadora de loucura, ciúme e vingança. Atriz que tomou parte em algumas das mais marcantes produções da história do TNSJ.