Notícias de hoje apontam para a falta água em São Paulo e que o racionamento pode afectar cinco milhões de habitantes. Diz-se que o problema vem de infra-estruturas de abastecimento e pela seca que dura há já um ano. E isto porque a principal barragem de abastecimento a São Paulo está apenas 6-7% da sua capacidade, quando em Maio de 2013 estava a mais de 60%. Os mais pobres já são afectados, dado que não têm reservatórios e dado que a água já só pinga das torneiras.
Coisa inesperada? Não! Ambientalistas já tinha alertado.
A secretária-geral da ONG World Wildlife Fund Brasil, Maria de Brito, sublinhou, a este propósito, que estes problemas estão documentados há vários anos. O WWF-Brasil é uma ONG brasileira, participante de uma rede internacional e comprometida com a conservação da natureza dentro do contexto social e econômico brasileiro e estão comprometidos com o fortalecimento do movimento ambientalista brasileiro e com o engajamento da sociedade na conservação da natureza.
As maiores cidades do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro, dependem de água de chuva. Esta é derivada de vapor de água que é transportado da Amazónia por correntes de ar, que, condensado, faz as gotas de chuva.
Ora, as políticas do governo brasileiro que favorecem o desmatamento na Amazônia colocam este fornecimento de água em mais risco com cada árvore que cai. A consciência deste facto ainda não se deu e as matas continuam a ser cortadas.
Mas, para além desta situação, o facto é que a pouca água existente em São Paulo é distribuída desigualmente.
Nesta calamidade, ainda há quem só pense em si e queira imitar Veneza! Um condomínio fechado desvia águas de rio, com autorização do governo estadual, para tentar imitar a cidade italiana. Isto é-nos contado pelo Coletivo Conta D’Água. Na segurança de um condomínio fechado, vigiado 24 horas por dia por câmaras, as obras continuam e a água entra a rodos no Condomínio Ribeirão do Vale, para gáudio dos habitantes das suas 200 casas, 95% das quais equipadas com piscinas.
O Coletivo Conta D’água faz a cobertura colectiva da crise hídrica em São Paulo e no Brasil, de forma colaborativa por jornalistas independente de governos e empresas, destinado à produção de conteúdos sobre a crise da água.