Antonio Skármeta é conhecido sobretudo pelo romance O Carteiro de Pablo Neruda que inspirou Michal Radford na realização do filme Il postino (O Carteiro de Pablo Neruda)- Nasceu em Antofagasta, no Chile. Estudou filosofia e literatura no seu país e em Nova Iorque. Viveu muito tempo na Europa e nos Estados Unidos, onde trabalhou como guionista, professor e realizador de cinema. Os seus livros de contos e romances foram publicados em mais de 20 línguas.
Condecorado pelo governo francês, foi bolseiro da Fundação Guggenheim e do Programa das Artes de Berlim. A sua actividade como argumentista inclui filmes como Reina la tranquilidad en el país e La Insurrección, de Peter Lilienthal, e Desde lejos veo este país, de Christian Ziewer. Como realikzador de cinema rodou vários documentários e longas-metragens, entre as quais se destaca Ardiente paciencia, galardoado nos Festivais de Huelva, Biarritz e Bordéus e distinguido com o Adolf Grimmm Preis, na Alemanha, e o Prémio Georges Sadoul para o melhor filme estrangeiro, em França. Trabalhou também como tradutor, vertendo para castelhano obras de Mailer, Kerouac e Scott Fitzgerald. Recebeu os Prémios: Casa das Américas (1969), Internacional de Literatura Bocaccio (1996), Altazor ( 1999), Llibreter (2000), Grinzane Cavour (2001), Unesco 2003 de Literatura Infantil e Juvenil em prol da Tolerância, e Planeta (2003), Mundial de Literatura de Santiago do Chile (2004), Internazionale Ennio Flaiano (2006), Premio al Mérito Literario Internacional Andrés Sabella ( 2011) e Premio Nacional de Literatura 2014.
Livros publicados: El entusiasmo, 1967; Desnudo en el tejado, 1969; Tiro libre, 1973; Soñé que la nieve ardía, 1975; Novios solitarios, 1975; No pasó nada, 1980; La insurrección, 1982; O Carteiro de Pablo Neruda, 1985; Matchball, 1989; La composición, 1998; La boda del poeta, 1999; La chica del trombón, 2001; El baile de la victoria, 2003; Neruda por Skármeta, 2004; Dieciocho kilates e Un padre de película, 2010; Los días del arco iris, 2011.
“A Rapariga do Trombone” em Portugal foi editado pela Teorema em 2001. Conta a história de uma menina de dois anos, Madalena, que desembarcou no porto de Antofagasta, na companhia de um trombonista que a entregou aos cuidados de Esteban Coppeta, a quem assegurou ser sua neta. A menina cresceu, tendo sido criada pelo velho chileno e sempre desenvolvera uma grande paixão pelo cinema. Neste livro, a sua vida é narrada desde a sua infância até uma idade mais adulta. Uma vida de incertezas, é como se pode definir de forma mais correcta o percurso de Madalena.
“Não sabe que a felicidade espera por ele. Ainda não pode entender como durante muitas décadas se geriu esta glória: que Salvador Allende é o primeiro presidente marxista que triunfou pelos votos e não pelas armas, somos uma estrela no planeta, e por fim a via chilena pra o socialismo abrirá outros caminhos pacíficos, haverá paz, beleza, verdade, justiça e a coisa cultural.
Pelos autofalantes anunciam que Allende está a entrar pela Alameda. O povo unido jamais será vencido… em 4 de Setembro de 1970, e na Alameda de Santiago. Entre estas centenas de milhares que somos uma só pessoa.
A primeira coisa que as pessoas te perguntam quando não tens pai nem mãe é como se chamam os teus pais.
E se não sabes os seus nomes, e o papá se chama simplesmente papá, e a mamã nada mais do que mamã, dizem logo coitadinha e tão linda que tu és com esses olhos azuis, e tudo o mais.
… o avô disse-me que dentro da cabeça podia imaginar tudo o que quisesse, mas que nunca soltasse a língua porque me poderiam levar para uma casa de doidos.”


