Seria difícil imaginar uma cabeça mais feérica e tão distintamente irónica como a de Alexandre O´Neill para, numa travessia pelo Portugal dos nossos dias (o país europeu com tiques e vícios de ontem), dar um sentido à altura das enormes encruzilhadas do país. Verbalizar os dislates da vida e do amor à luz de um país incerto é um exercício que, na escrita e na personalidade de O´Neill, se transforma em combustível sem limites, desígnio perfeito para uma vida inspirada: “Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor / O tapete que vai partir para o infinito / Esta noite ou uma noite qualquer”. Quando, num café do Príncipe Real, nos juntámos para dar um destino ao nosso enorme apreço pelo poeta, também nós procurávamos esse difícil compromisso entre tornar legíveis as várias explosões de sentido da sua poesia e, ao mesmo tempo, revelar uma unidade dramatúrgica visível para todos nós: imagens, canções, visões periféricas. Se, em muitos aspectos, O´Neill foi um poeta incompreendido e indecifrável, como o é tantas vezes a nossa “vidinha”, é certo que se tornou um dos grandes do século vinte, com vida cheia e literalmente profícua a contaminar tantas e tantas criaturas. Portugal, Meu Remorso é um tributo das nossas inquietações e incertezas, da nossa admiração pelo poeta que apostava tudo na vida “mesmo que errada”. Esta noite ou uma noite qualquer, com algumas palavras de ódio e outras de amor, a nossa viagem é ao Portugal infinito de Alexandre O´ Neill.
Portugal, Meu Remorso
A partir de textos de Alexandre O’Neil
Direcção Artística e Interpretação: Ana Nave e João Reis
Dramaturgia: Maria Antónia Oliveira
Apoio Dramatúrgico: Rui Lagartinho
Espaço Sonoro: Francisco Leal
Espaço Cénico e Vídeo: Patricia Sequeira
Desenho de Luz: João Cachulo
Figurinos: Rafaela Mapril
Produção executiva: Mónica Talina
Co-Produção: O Lince Viaja e São Luiz Teatro Municipal

