O acidente ferroviário que provocou a morte de dois jovens polícias, em Sacavém, é brutal. Revela grave impreparação dos dois profissionais. Imperdoável imaturidade. Excesso de zelo/vontade de mostrar serviço à chefia. O país, já tão crucificado por este Governo CDS-PSD, não pode ficar de braços cruzados. Calado. Apático. Estas duas mortes são dois crimes. De lesa-país. Todos fomos de certo modo mortos neste estúpido acidente. Para cúmulo, vem, depois, a correr a sra. Presidente da AR, Assunção Esteves, tentar limpar o crime, numa mensagem de condolências, quando escreve, “Morreram como heróis por todos nós! Deixam-nos uma memória de abnegação, um exemplo de entrega sem limite. São eles e outros como eles que nos dão a garantia do Estado de direito, da força das leis e da justiça.” Não, senhora presidente! Não meta os pés pelas mãos. Não branqueie este duplo assassinato, no mínimo, por omissão. Duas vidas jovens são duas vidas jovens. É grande a nossa tristeza. Muito maior a nossa indignação/cólera/protesto. Não é permitido ao Estado atirar dois jovens polícias para a morte. Chamar-lhes, depois, “heróis”, é o cúmulo da obscenidade. Um insulto. Não há heróis, senhora presidente. Há seres humanos em sociedade. Com deveres a cumprir. Com direitos a usufruir. Não fale em Estado de direito, leis, justiça. Fale em dois jovens polícias mortos. Por incúria do Estado patrão. A sociedade só carece de polícias, porque o poder político a faz estruturalmente corrupta. A segurança das populações são elas que a fazem, quando as deixam ser humanas consigo próprias, vasos comunicantes umas com as outras. O acesso ao trajecto do caminho-de-ferro é proibido a peões, polícias incluídos. Choro a morte estúpida, escusada, de Ricardo Santos, 23 anos, de João Rainho, 26 anos. Aos familiares e aos colegas de serviço, dou-lhes o meu ombro, o meu colo, que é um modo-outro de lhes dizer e ao país, toda a minha indignação/cólera contra o Estado que faz de dois polícias mortos, “heróis” à força de tanta incúria/impreparação para as missões que lhes confia. Parte-se-me a alma! Por isso, grito! Gritemos todos!
27 Fevº 2015

