O envelhecimento da população da freguesia de Canha
Há seis ou sete anos, Canha saiu do anonimato, para o estrelato da comunicação social nacional, porque o Governo da altura decidiu que o novo aeroporto de Lisboa fosse construido no território da freguesia.
Em 2011 foi deliberado que por motivos da crise que o novo aeroporto já não seria construido. Canha saiu de cena e nunca mais ninguém falou sobre a sua economia.
A Vila de Canha, foi sede de concelho durante muitos séculos, tem foral de 1172, outorgado pelo I rei de Portugal, D. Afonso Henriques.
Em 1836, Canha deixou de ser concelho e passou a integrar o concelho de Montemor-o-Novo e em 1838 passou para o concelho de Aldeia Galega, por influência dos agricultores do nosso concelho que eram proprietários de terras naquela freguesia.
O território desta freguesia tem uma área enorme de 207,2Km2 (0,233% da área de Portugal continental.), mais área do que as outras freguesias de Montijo, todas juntas. O território é composto por grandes propriedades (herdades), pequenas propriedades, foros, terrenos alagadiços da Ribeira de Canha. Produz cortiça e madeira, arroz, tomate, flores, vinhas, pecuária e outros produtos a agricultura.
Apesar de tudo isto e do peso histórico da povoação, bem enraizado no seu povo, todos os anos Canha perde população e nos censos de 2011, só tinha 1.611 habitantes, 1452 com mais de 18 anos, sendo que destes 661 têm mais de 60 anos. Em 2011 tinha 8 habitantes com menos de um ano e 49 com 0 a 4 anos. Em todos os censos a freguesia de Canha tem vindo a perder população. Em 1991 tinha 2.202 habitantes, em 2001, 1.907 e em 2011, 1611 e continua a perder, pois pelos censos de 2011 existiam na freguesia 109 habitantes com 75 a 79 anos, 95 com 80 a 84 anos e 90 com 85 anos ou mais e os nascimentos já são muito reduzidos e estão a diminuir todos os anos.
Com a crise, nos últimos quatro anos, estou convencido de que saíram de Canha muitas pessoas com idade de trabalhar para procurar trabalho fora da freguesia. É difícil trabalhar noutro local e residir em Canha, pois com os salários que se pagam, o custo e a falta de transportes públicos impossibilita esta solução.
Não podemos continuar à espera que esta situação se resolva por si, como tem sido feito até aqui. Que o mercado resolve tudo como pensa a direita, como diz o lider do PS, António Costa “se pensarmos como da direita pensa acabamos a governar como a direita governou”. Temos que ter uma estratégia de crescimento e de criação de emprego para Canha se não quisermos que esta vila multi-secular desapareça dentro de 30 ou 40 anos.
O envelhecimento da população de Canha ,deve ser uma preocupação do Conselho Estratégico Para o Desenvolvimento Económico do Concelho de Montijo, recentemente criado.

