EDITORIAL –  O PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA

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Um casal alemão, de visita à Grécia, em  Nafplio, no Peloponeso, entrou na Câmara Municipal  (no que será o equivalente local) da cidade, que foi capital da Primeira República Helénica, em 1821, e declarou querer pagar o correspondente à sua parte da dívida de guerra da Alemanha para com o país que visitavam. Como tinham pouco dinheiro, deixaram a parte correspondente a um deles, no total de 875 euros. Vejam o link abaixo.

Dirá muita gente que se trata apenas de um gesto individual, de alcance muito reduzido. Não faltará inclusive quem ponha a ridículo a atitude do casal, Ludwig Zacaro e Nina Lahge. Na realidade, o gesto traduz uma consciência cívica invulgar. As destruições feitas pelos alemães na Grécia na Segunda Guerra Mundial foram enormes, os sofrimentos causados foram terríveis, a condenação ao pagamento de uma indemnização de guerra foi inequívoca, e acabou por não ser cumprida. Por outro lado, como é sabido, a Alemanha tem beneficiado grandemente com o comércio europeu (por exemplo, em exportações de submarinos para a Grécia, que comprou vários, não apenas dois), o que explica muito da situação actual.

O conflito leste-oeste e um certo espírito de supremacia sobre os outros povos, que persiste em alguns alemães explicam que a Alemanha nunca tenha cumprido o que ficou estipulado. Este gesto de solidariedade, que parte de pessoas modestas, como parecem ser Nina e Ludwig, tem um alcance simbólico, é verdade, mas de enorme importância. Os europeístas sinceros deveriam dar-lhe o devido relevo. E os restantes poderão dizer que a solidariedade entre os povos, afinal, não é um mito.

 

http://www.theguardian.com/world/2015/mar/19/german-couple-pay-greece-war-reparation-nafplio-tourists

 

1 Comment

  1. ” a solidariedade entre os povos, afinal, não é um mito.-Ainda bem ,só que é um caso isolado -Maria

    No dia 20 de março de 2015 às 12:10, A Viagem dos Argonautas escreveu:

    > joaompmachado posted: ” Um casal alemão, de visita à Grécia, em > Nafplio, no Peloponeso, entrou na Câmara Municipal (no que será o > equivalente local) da cidade, que foi capital da Primeira República > Helénica, em 1821, e declarou querer pagar o correspondente à sua parte da > dí”

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