EM LISBOA E EM S. PAULO – MAGNO CONGRESSO INTERNACIONAL 100 ORPHEU, DE 25 A 28 DE MARÇO

Realiza-se em 2015, em Março, em Portugal (Lisboa), e em Maio, no Brasil (S. Paulo), o Congresso Internacional Luso-Brasileiro 100 Orpheu, que assinala o centenário do lançamento desta revista literária. O prof. doutor Dionísio Vila Maior, docente da Universidade Aberta (UAb), preside à Comissão Organizadora, em Portugal.

orpheu

Meu caro Côrtes-Rodrigues:

Muito à pressa.

Ontem deitei no correio um Orpheu para si. Foi só um porque podemos dispor de muito poucos. Deve esgotar-se rapidamente a edição. Foi um triunfo absoluto, especialmente com o reclame que A Capital nos fez com uma tareia na 1.ª página, um artigo de duas colunas. Não lhe mando o jornal porque lhe escrevo à pressa, da Brasileira do Chiado. Para a mala seguinte contarei tudo detalhadamente. Há imenso que contar. Agora tenho tido muito que fazer. (…) Naturalmente temos que fazer segunda edição. «Somos o assunto do dia em Lisboa»; sem exagero lho digo. O escândalo é enorme. Somos apontados na rua, e toda a gente — mesmo extra-literária — fala no Orpheu.

Há grandes projectos. Tudo na mala seguinte.

O escândalo maior tem sido causado pelo 16 do Sá-Carneiro e a Ode Triunfal. Até o André Brun nos dedicou um número das Migalhas.

Meus cumprimentos a seu Pai. Um abracíssimo do

Fernando Pessoa

“Com organização conjunta do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, do Laboratório de Estudos de Poéticas e Ética na Modernidade (LEPEM) da Universidade de São Paulo e do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes (IECCPMA), o Congresso Internacional Luso-Brasileiro 100 Orpheu permitirá a colaboração e a presença de reconhecidos escritores, professores e investigadores.

Pretende-se assim refletir a plêiade de escritores e artistas cuja produção foi marcada profundamente por uma experimentação estética e literária: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, António Ferro, Amadeo de Sousa-Cardoso, Santa-Rita Pintor, Luís de Montalvor, Ronald de Carvalho, Alfredo Pedro Guisado, Armando César Cortes-Rodrigues, Ângelo de Lima, Raul Leal, e todos os que, balizados pelo timbre das obras que estes legaram à posteridade, aprofundaram a descontinuidade moderna, numa cadeia de acontecimentos que ainda hoje persistem na memória coletiva não só luso-brasileira, mas também europeia.

Este evento constitui uma oportunidade única de intensificar os laços históricos e culturais entre Brasil e Portugal, procurando analisar amplamente um legado comum cuja permanência o próprio Fernando Pessoa, em 1915, prenunciava: «Na mitologia dos antigos, que o meu espírito radicalmente pagão se não cansa nunca de recordar, numa reminiscência constelada, há a história de um rio, de cujo nome apenas me entrelembro, que, a certa altura do seu curso, se sumia na areia”. Aparentemente morto, ele, porém, mais adiante — milhas para além de onde se sumira — surgia outra vez à superfície, e continuava, com aquático escrúpulo, o seu leve caminho para o mar».

O Congresso Internacional Luso-Brasileiro 100 Orpheu permitirá continuar esse “rio” de que Pessoa falava; e tão importante quanto os desígnios substanciais subjacentes à realização do encontro — a (re)avaliação da Geração de Orpheu, promovendo novas pistas, preenchendo “lugares” de leituras — são os esforços para atingir um “mar”, que, no caso, se consubstancia no profundar da relação entre dois países, entre duas identidades, intimamente unidos pela Língua Portuguesa — a mesma, afinal, que Fernando Pessoa um dia considerou uma das três línguas que permaneceriam no futuro.

A iniciativa decorrerá na Fundação Calouste Gulbenkian e no Centro Cultural de Belém; em Portugal, e na Universidade de São Paulo, no Brasil.

Para informação detalhada sobre o Congresso Internacional Luso-Brasileiro 100 Orpheu aceda a 100orpheu.com.”

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