DIA DO TEATRO – Grandes Nomes do Teatro Português: Eduardo Scarlatti – por António Gomes Marques

 Imagem3Na comemoração do Dia Mundial de Teatro cabe-nos também lembrar alguns daqueles que, em Portugal, mais contribuíram para a construção de um Teatro Português e de um Teatro em Portugal. Assim, natural é que se fale de Eduardo Scarlatti (1898-1990), um dos que mais procurou contribuir para a mudança de mentalidades no nosso país, como se pode comprovar em algumas das suas obras, como «A Religião do Teatro» (1.ª edição em 1928, 2.ª edição da Editorial Ática, grandementeImagem4 melhorada, em 1945) ou o Prefácio (e tradução) a «Prometeu Agrilhoado», de Ésquilo, numa edição da Cosmos, um dos volumes da famosa Biblioteca Cosmos, sob a direcção do Prof. Bento de Jesus Caraça, mas também através de artigos críticos, nomeadamente os publicados no jornal «O Diabo» (não confundir com o actual jornal com o mesmo título), entre 1934 e 1937, posteriormente reunidos em 4 volumes (de que possuo os II, III e IV, graças à generosidade de Costa Ferreira), com o título «em casa de “O Diabo” – subsídios para a história do teatro», numa edição da Livraria Luso-Espanhola, Lda, impressos, os volumes que possuo, em Janeiro de 1943, em Novembro de 1943 e em Abril de 1946, respectivamente. Era uma crítica imediata, que o crítico tinha de fazer logo que terminado o espectáculo de modo a chegar à redacção antes do fecho do jornal, uma tradição hoje desaparecida e que levava os intervenientes no espectáculo teatral e os seus espectadores a correr ao jornal do dia seguinte às estreias.

Num texto escrito por Luís Francisco Rebello para a Colóquio-Letras n.º 117/118 (Set.º 1990), «No Desaparecimento de Eduardo Scarlatti», pode ler-se, numa referência à principal obra do autor que recordamos, «A Religião do Teatro»:

«O intuicionismo de Bergson, a psicanálise de Freud, o materialismo dialéctico de Marx, eis as grandes traves-mestras sobre as quais Eduardo Scarlatti assentou a construção do seu ensaio, no termo do qual nos propõe o teatro como síntese superior e harmoniosa da vida: não um fenómeno puramente literário, ou mais latamente artístico, mas um fenómeno simultaneamente estético e sociológico, uma representação consciente do inconsciente colectivo. Era, para a época, sem dúvida, uma tese revolucionária.»

Ao lembrar Eduardo Scarlatti neste Dia Mundial do Teatro, em 2015, queremos também referir que urge não só a reedição das suas obras publicadas e esgotadas mas também a publicação em volume dos textos dispersos e dos inéditos, nomeadamente os referidos por L. F. Rebello no citado texto: «o longo estudo crítico sobre a representação da trilogia de O’Neill no Teatro Nacional, em 1943, e a notável conferência que em 1947 proferiu nos salões de O Século — de que viria a ser director no pós-25 de Abril — a encerrar o ciclo sobre “A Evolução e o Espírito do Teatro em Portugal”».

Na expectativa de ter criado no leitor uma grande vontade de conhecer os escritos de Eduardo Scarlatti, vamos transcrever, do II volume de «em casa de “O Diabo”», o texto «A máscara do crítico»

António Gomes Marques

Portela, 2015-03-27

 

 

 

 

 

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