O “Dia Mundial do Teatro” – por Júlio Cardoso*

*Seiva Trupe

 num mundo realmente às avessas, a verdade corre o risco de ser torpe.

 Imagem2 (2)Ao longo da minha vida já participei em várias formas de enterros, não só de humanos mortos mas também de ideias, de instituições, enfim, de coisas moribundas ou mesmo mortas.

 Ora, aqui e agora, esquecendo o resto do mundo, comemorar o Dia Mundial do Teatro, não sei o que diga. Não falo de crise, palavra que já desvalorizei há muitas décadas; da falta de condições, a mesma coisa; da falta de actores, de técnicos, de equipamentos, de públicos? – Era o que faltava, nem pensar. Então, a que propósito logo a iniciar aparece o luto? Talvez, só por nos suportarem, mas no fundo parecemos-lhes de profissão hórrida.

– Majestade, isto de “cómicos” é má gente. Assim respondia o intendente Pina Manique a D. Maria. E o lastro ficou!…

O mal, dizem, são os poucos dinheiros e então – por paráfrases – distribuem o ébola, perdão, o mal pelas aldeias. E pronto! Está feito. Veja-se o resultado.

Ah, confesso que já não tenho pachorra para falar de teatro. Uma maioria esmagadora, tentando sobreviver, vai desesperadamente fazendo umas ninharias de vacuidades teatrais. Salvo raras e honrosas excepções, o panorama é deveras desolador.

Jovens talentosos e com formação teatral, são inexoravelmente empurrados para cometimentos aventureiros e lá, como emImagem1 remoinhos diabólicos, hoje neste, amanhã naquele, vislumbra-se potencialidade e, ao fim de alguns anos, ou involução ou na mesma. Daí que o ambiente está a ficar pregado a um teatro de potencialidades; os conteúdos, os encenadores, as possibilidades são de fragilidades confrangedoras. Os primeiros, em quantidade que sobra, são baseados “sobre o texto de…”; os segundos surgem por obra da divina graça e as possibilidades são inexistentes. As técnicas actorais que aprenderam estão esquecidas; os talentos são coisas antigas que os actores quando os tinham, gostavam de os usar. – Vamos debitando o texto e todos ao molho e quem não aderir… o problema é deles.

Os tempos que correm não estão para um teatro vivo.

Mas há que resistir. Os públicos merecem-no!

Bardamerda. Teatro ou morte. – Esta é a verdade!

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