DIA DO TEATRO – AINDA ESTÁ PARA NASCER O TEATRO-OUTRO – por Mário de Oliveira

 unnamed dia mundial do teatro

O teatro que se pratica, desde muito antes do cristianismo, tem por pai o Religioso. Se quiser ser Teatro-outro, Arte Maiêutica, tem de matar o pai. Nascer do Vento/Ruah que vem de dentro para fora do Ser Humano pleno, integral, politicamente insubmisso, dissidente, desobediente, conspirativo. Que faz humanas, todas as coisas. Blindadas ao sopro descriador do poder, o pecado estrutural do mundo. Uma meta quase inalcansável, depois de dois mil anos de cristianismo a reduzir o teatro a liturgia. Uma perfídia em contínuo. Com incidência maior nos domingos. Nas muitas festas populares controladas por clérigos. Que deixam as multidões na mais completa desmobilização política. Geração após outra. Século após século. Sucessivos crimes sem perdão que tornam as mentes-consciências das populações progressivamente mais pequenas. Cosidas de Medo. Na condição de bestas de carga. Incapazes de se levantar, agir-reagir politicamente. Estupidificadas por sacerdotes-pastores, com tanto de santo como de demónio. Conforme a máscara com que se apresentam perante elas. Em total conformidade com os seus próprios interesses corporativos. https://www.youtube.com/watch?v=GIY9F4nQb0E Nenhuns escrúpulos. A sociedade, hoje, é já pós-cristã. O teatro-liturgia cai em desuso. Por falta de actores. De público interessado. Que não de espaços físicos, cada vez mais às urtigas, ao abandono. O que se segue não é, de todo, o desejado Teatro-outro, gerado pelo Vento/Ruah de Seres Humanos plenos, integrais. Uma raridade, nos tempos do Mercado global. Continua a ser mais do mesmo. Com máscaras laicas, seculares. Porventura, ainda mais castrador-redutor das mentes-consciências das populações do que o teatro-liturgia. Teatro-outro, só com Actores outros. Plena, integralmente humanos. Protagonizado por seres humanos, máscaras nenhumas. No mundo inteiro, palcos nenhuns. 24 horas por dia, horários nenhuns. Histórias reais, peças previamente escritas, nenhumas. Só assim somos. Protagonistas, não espectadores. Num mundo, Casa-Mesa comum.

27 Março 2015

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