Alguém me explique, por favor: este texto nem é tão mau assim que tenha de vestir-se, para vir à rua, de capa estranha – para quê e porquê chamarem-lhe então de “poesia”??!!! ou “poema”??!!!
Caro Armando, O texto é de um escritor e colaborador deste blogue que nos deixou em 2014 e a cuja memória prestamos homenagem. Distinguiu-se na ficção e escreveu páginas admiráveis, criando personagens e situações com grande saber literário. Fernando Correia da Silva foi considerado um romancista e não um poeta. Mas escrevia poemas e, na nossa opinião, poemas interessantes. À sua pergunta, «porquê chamar-hes poesia?», respondo com uma pergunta – como é que o Armando define poesia? Deve obrigatoriamente rimar? Deve abordar temas específicos, considerados «poéticos»? Neste blogue, tentámos há tempos desencadear um debate sobre a natureza da poesia. Participaram poetas, professores de literatura, e leitores de poesia. Não houve consenso. Se me permite, dir-lhe-ia que a poesia não pode ser aprisionada em definições – pode rimar,não rimar, pode falar de amor ou reivindicar justiça social, louvar o passado ou inventar o futuro… Querer que a poesia corresponda ao que queremos que ela seja é, digamos, uma posição pouco poética. Cada ave tem a sua forma de voar.
Alguém me explique, por favor: este texto nem é tão mau assim que tenha de vestir-se, para vir à rua, de capa estranha – para quê e porquê chamarem-lhe então de “poesia”??!!! ou “poema”??!!!
Caro Armando, O texto é de um escritor e colaborador deste blogue que nos deixou em 2014 e a cuja memória prestamos homenagem. Distinguiu-se na ficção e escreveu páginas admiráveis, criando personagens e situações com grande saber literário. Fernando Correia da Silva foi considerado um romancista e não um poeta. Mas escrevia poemas e, na nossa opinião, poemas interessantes. À sua pergunta, «porquê chamar-hes poesia?», respondo com uma pergunta – como é que o Armando define poesia? Deve obrigatoriamente rimar? Deve abordar temas específicos, considerados «poéticos»? Neste blogue, tentámos há tempos desencadear um debate sobre a natureza da poesia. Participaram poetas, professores de literatura, e leitores de poesia. Não houve consenso. Se me permite, dir-lhe-ia que a poesia não pode ser aprisionada em definições – pode rimar,não rimar, pode falar de amor ou reivindicar justiça social, louvar o passado ou inventar o futuro… Querer que a poesia corresponda ao que queremos que ela seja é, digamos, uma posição pouco poética. Cada ave tem a sua forma de voar.