NESTE DIA… Em 9 de Abril de 1918, Portugal sofria a maior derrota militar depois de Alcácer Quibir

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Imagem1 Foi há 97 anos, em 9 de Abril de 1918: cerca das 4:30 AM de 9 de Abril de 1918, no sector de Ypres da região da Flandres, em território belga, oito divisões do 6º Exército Alemão, com 55 mil homens, comandados pelo general Ferdinand von Quast, atacaram o sector português – era a operação com o nome de código Georgette. Começara a batalha de La Lys que iria durar quase três semanas, até 29 de Abril. Nas primeiras quatro horas de combate, os portugueses, entre mortos, feridos, prisioneiros e desaparecidos, perderam cerca de 7500 homens.

A 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP) era composta por aproximadamente 20 mil homens, com 15 mil ao longo das primeiras linhas, sob o comando do general Gomes da Costa . Estas tropas do CEP estavam integradas no 11º Corpo Britânico (num total de 84 mil homens) dispositivo que se desenvolvia numa linha contínua de 55 quilómetros. Os alemães atacaram o ponto que sabiam ser mais vulnerável. Porém, o sacrifício dos soldados portugueses deu tempo aos britânicos para se reposicionarem de modo mais favorável. Mais bem equipados e mais disciplinados, ao ser desencadeada a ofensiva, recuaram, deixando expostos os flancos do CEP que foram sendo envolvidos pelas sucessivas vagas da infantaria germânica apoiada por artilharia . Aquilo a que se chama «carne para canhão».

 Quando deflagrou a guerra em 1914, sabia-se que para além dos motivos invocados, por detrás das razões históricas e do palavreado pomposo das diplomacias, o que estava verdadeiramente em causa eram questões económicas, conflitos de interesses – uma Alemanha com pouco mais do que quatro décadas, moralizada pela humilhante derrota imposta à França na guerra franco-prussiana, entendia que tinha direito a uma nova divisão dos recursos naturais e dos territórios coloniais onde existiam esses recursos. Para quem não percebesse o que estava por detrás, estranharia a posição britânica que se opôs enquanto pôde á entrada de Portugal no conflito. É ridículo, mas a diplomacia portuguesa obteve um vitória quando foi aceite o envio de tropas. Na realidade, Portugal possuía colónias de uma excessiva dimensão para a sua pequenez territorial e para o seu reduzido peso na política internacional. Não só os alemães pensavam assim – era uma tese quase consensual na Europa do princípio do século XX. A França, a Alemanha e a nossa velha aliada, a Inglaterra, estavam de acordo com os alemães quanto a esta «aberração». Mas havia outros pretendentes a «ajudarem-nos» a tomar conta das colónias – Itália e Bélgica, por exemplo. O valor económico e geoestratégico do império colonial português era motivo de cobiça por parte das grandes e médias potências da época que alegavam que um país tão pequeno e pouco desenvolvido carecia de capacidade para promover o desenvolvimento de territórios tão vastos.

Por outro lado houve a vontade de nos afirmarmos no concerto das nações e de esconjurarmos o eterno fantasma da anexação pela Espanha que, desde a implantação da República, ganhara corpo e aparecia como uma ameaça muito real. Enquanto os republicanos espanhóis, tentando omitir o que corria mal em Portugal, a direita, com Afonso XIII, considerava Portugal um assunto interno de Espanha e tentava arranjar pretexto para nos  invadir militarmente.

Defender a posse do império colonial e afirmar a identidade nacional face à gula hegemónica de Madrid, levaram à entrada de Portugal na guerra. A afirmação de Portugal perante a comunidade internacional, preservando o império colonial e evitando que Espanha nos invadisse, custou-nos milhares de mortos e o aumento do nossa atraso económico.

A Batalha de La Lys foi uma das mais desastrosas de toda a história portuguesa. Os mitos foram muitos, quase criando no imaginário popular a ideia de que se tratou de uma vitória. Mas foi uma derrota e abriu as portas aos inimigos da República.

 

 

1 Comment

  1. Uma derrota? Que eu saiba a ofensiva dos hunos não teve sucesso. Morreram muitos portugueses mas os atacantes não conseguiram o que pretendiam. A força militar aliada não pode ter razões de queixa do comportamento português Quem mandou desguarnecer o sector português? Quem reteve em Portugal muitos oficiais? Em Portugal quem era o português muitíssimo bem colocado que era totalmente germanófilo?

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