No palco do Teatro Nacional São João , de 11 a 19 de Abril, regressa “al mada nada” o “lado b que Ricardo Pais projetou para o quintessencial Turismo Infinito.
Fernando Pessoa e heterónimos são despejados do seu “escritório vasto”, subitamente invadido por magalas com bivaque e polainas de brim, saídos da escrita percutida de Almada Negreiros.
Numa altura em que se comemora o centenário de Orpheu, al mada nada regressa ao palco do TNSJ, um ano após o avassalador êxito desse lado b que Ricardo Pais projetou para o quintessencial Turismo Infinito. Se o espetáculo criado sobre textos de Pessoa figurava uma mente plural, al mada nada celebra a sensualidade, a cor, o movimento, coisas que Almada viveu apaixonadamente. Partindo sobretudo de Saltimbancos(1917) – texto único da nossa literatura, obsessivamente físico e sexual –, a criação de Ricardo Pais põe a girar, au ralenti ou em altíssima rotação, um caleidoscópio português em que se imbricam um quartel e um circo indigente, homens-cavalo, arraiais de verão, dramas de namorados, memórias de uma semi-imaginária Emissora Nacional, um sol a pique e um luar de acetileno…Contrastes simultâneos a que o ator Pedro Almendra, o percussionista Rui Silva e a Momentum Crew – um grupo de b-boys premiado internacionalmente – dão corpo, fazendo do palco uma arena de combate, mas também o lugar de um inesperado recolhimento.
De Ricardo Pais
Com Pedro Almendra, Rui Silva eMomentum Crew
textos de Almada Negreiros
dramaturgia – Pedro Sobrado
cenografia – Manuel Aires Mateus
figurinos – Bernardo Monteiro
música – Rui Silva
desenho de luz – Nuno Meira
desenho de som – Joel Azevedo
elocução e preparação vocal – João Henriques
guião e encenação – Ricardo Pais com Manuel Tur
interpretação
Pedro Almendra (ator), Bruce Almighty, Deeogo Oliveira, Lagaet Alin, Max Oliveira, Mix Ivanou, Pedro França (dança urbana) e Rui Silva(percussão)