EXPOSIÇÃO DE SEBASTIÃO SALGADO, “GÉNESIS”, NA CORDOARIA NACIONAL

Sebastião Salgado volta a Portugal, depois da grande exposição, em 1993, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, onde mostrou cerca de 250 imagens.

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Na Cordoaria Nacional, em Lisboa, podem ver-se 245 trabalhos resultantes das suas viagens por mais de 30 países, ao longo de oito anos, entre 2004 e 2011. Desde o Amazonas até à Nova Guiné, nas suas fotos podemos ver a natureza em locais não destruídos pelo homem.

Esta exposição foi inaugurada, em Londres, há dois anos, e já foi vista por quase dois milhões de pessoas. São imagens a preto e branco, de grande formato

Sebastião Salgado, para além de ter querido homenagear a grandiosidade da natureza, quis também lançar um alerta para a fragilidade da Terra. Torna-se claro que urge tomar medidas para preservar a natureza, defende. Neste seu discurso, lembra que se, por um lado, 46% do planeta ainda se matem num estado mais puro, selvagem, por outro, o homem já destruiu os outros  54% .

As fotografias estão apresentadas em diferentes secções – “Sul do Planeta”, “Santuários”, “África”, “Espaços a Norte” e “Amazónia e Pantanal”, que correspondem aos diversos  ecossistemas:

 Planeta Sul

 A Antártica, suas paisagens congeladas e seus destemidos animais, como pinguins, leões marinhos e baleias, fotografados inclusive em suas zonas de reprodução na Península Valdés.

Também estão nessa seção imagens do Sul da Georgia, as Falklands/Malvinas, o arquipélago Diego Ramirez e as Ilhas Sandwich, onde as numerosas espécies de albatrozes, petreis-gigantes, cormorões e também pinguins vivem.

 Santuários

Abrindo com as singularíssimas paisagens vulcânicas e a fauna das Ilhas Galápagos, engloba ainda as populações anciãs da Nova Guiné e Irian Jaya, os Mentawai da Ilha Siberut (nos arredores da província de Sumatra, na Indonésia), e paisagens, vida selvagem e vegetação dos diferentes ecossistemas de Madagascar.

 África

A impressionante variedade de imagens: da extraordinária vida selvagem do Delta de Okavango, na Botswana, até os gorilas do Parque Virunga, na divisa de Ruanda, Congo e Uganda ; do grupo Himba, da Namíbia, e dos tribais Dinkas do Sudão, até a população do Deserto Kalahari em Botswana; das tribos do Omo Sul, na Etiópia, até as antigas comunidades cristãs do norte da Etiópia.

Na África, revelam-se espetaculares – e numerosos – desertos, com suas cores indo do cinza escuro até o vermelho profundo, suas texturas de areia e pedra; alguns são planos, como oceanos, outros estão interrompidos por montanhas áridas. Em algumas imagens capturadas na Líbia e na Argélia, veem-se sinais de vida, não somente cactos e roedores mas também na arte rupestre datada de milhares de anos.

 Terras do Norte

Mostra as visões do Alasca e do Colorado, nos Estados Unidos; as paisagens naturais do Parque Nacional Kluane, no Canadá; estão aqui também o extremo Norte da Rússia, incluindo o local de reprodução do urso polar na ilha Wrangel, a população indígena Nenet, no norte da Sibéria, e também a península Kamchatka, na ponta mais oriental da Rússia.

 Amazônia e Pantanal

A enorme floresta tropical, vista do céu, é cortada pelo rio Amazonas e seus afluentes – e o desenho lembra uma gigantesca árvore da vida, com braços e mãos se estendendo do coração do Brasil em direção aos países vizinhos. Seguindo em direção ao Norte para capturar os Tepuis Venezuelanos, as mais antigas formações geológicas na terra, a seção inclui ainda as imagens da vida selvagem do Pantanal no Mato Grosso, da tribo indígena Zo e, “contatada” pela primeira vez há apenas duas décadas, assim como as tribos mais assimiladas do alto Rio Xingu.

Esta mostra, com curadoria de Lélia Wanick Salgado, surge na sequência de dois anteriores grandes projetos de Sebastião Salgado: “Trabalhadores” (1993) e “Migrações” (2000), que abordaram o trabalho manual e o movimento de populações no planeta.

Em julho do ano passado, o fotógrafo brasileiro lançou em Portugal o livro “Da Minha Terra à Terra”, pela editora Individual, que conta pela primeira vez a história pessoal e faz revelações das raízes políticas, éticas e existenciais do seu trabalho.

Nascido a 08 de fevereiro de 1944, em Aimorés, Minas Gerais, Sebastião Salgado é formado em Economia e começou a sua carreira de fotógrafo em Paris, em 1973.

Membro das agências de fotografia Sygma, Gamma e, posteriormente, a Magnum, Sebastião Salgado fundou a Amazonas Images, com a mulher, Lélia Wanick, em 1994, e juntos criaram o Instituto Terra para a reflorestação da Mata Atlântica brasileira.

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