A NOSSA RÁDIO – EVOCANDO O PROGRAMA «EM ÓRBITA» – 3 – por Álvaro José Ferreira

 

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 Elenco do “Em Órbita” em 1968 (da esquerda para a direita): Pedro Albergaria, Cândido Mota, Jorge Gil e João Manuel Alexandre

O blogue “A Nossa Rádio” apresenta essas duas magníficas gravações, que, conjuntamente com “Revenge” e a “A Lenda de El-Rei D. Sebastião”, funcionam como tributo (singelo, mas penhorado) ao “Em Órbita” e ao seu autor, Jorge Gil. 4 Registo com agrado que a rádio pública não tenha ficado alheada da efeméride dos 50 anos: a Antena 1 transmitiu, a partir das 19:14, um programa especial conduzido por António Macedo, no qual falaram Pedro Castelo, Pedro Albergaria, Cândido Mota e o técnico José Ribeiro [>> RTP-Play: 1.ª hora / 2.ª hora]; e a Antena 2 repôs uma edição do “Em Órbita”, consagrada a Johann Sebastian Bach, logo a seguir a um depoimento de João David Nunes, o carismático primeiro director de programas da Rádio Comercial que também fez a locução do programa durante largos anos.

Não obstante, mais haveria a fazer para celebrar o “Em Órbita” e nessa medida prestando bom serviço público. Enuncio duas ideias. A primeira é a criação, na Antena 3, de um espaço musical, que até podia chamar-se “Memória do Primeiro ‘Em Órbita'”, onde só entrasse o repertório que foi divulgado na primeira fase. Oportunidade para o auditório mais jovem descobrir uma imensa plêiade de artistas de primeira água da música anglo-americana que hoje apenas podem ser ouvidos no canal codificado VH1 Classic (para quem o pode pagar, evidentemente) ou em plataformas da internet, como o YouTube ou o Spotify (mas, neste caso, é preciso saber que a música existe para se ir à procura dela). A segunda ideia diz respeito à reposição na Antena 2, diariamente (o que podia muito bem ser entre as 19:00 e as 21:00), de todo o acervo erudito do “Em Órbita”, desde Janeiro de 1974. Eu parto do princípio de que os registos existem em arquivo; caso contrário estamos na presença de “terrorismo cultural” (a expressão não é minha – é de João Maria de Freitas Branco ao pronunciar-se acerca da bárbara destruição de boa parte do acervo do programa “O Gosto pela Música” que o pai realizou, nos anos 60 e 70, para a Lisboa 2 e o Programa 2 – a denominação “Antena 2” passou a vigorar a partir dos anos 80, se estou bem informado).

Revenge

Música: Ray Davies e Larry Page Intérprete: Kinks* (in LP “Kinks”, Pye Records, 1964) (instrumental) * Ray Davies – guitarra ritmo e harmónica Dave Davies – guitarra base Peter Quaife – baixo Mick Avory – bateria Produção – Shel Talmy

A Lenda de El-Rei D. Sebastião

Letra e música: José Cid

Intérprete: Quarteto 1111* (in EP “A Lenda de El-Rei D. Sebastião”, Columbia/VC, 1967)

[instrumental]

Depois de Alcácer Quibir

El-Rei D. Sebastião

Perdeu-se num labirinto

Com o seu cavalo real

As bruxas e adivinhos D

as altas serras beirãs

Juravam que nas manhãs

De cerrado nevoeiro

Vinha D. Sebastião

Pastoras e trovadores

Das regiões litorais

Afirmaram terem visto

Perdido entre os pinhais

El-Rei D. Sebastião Ciganos vindos de longe

Falcatos desconhecidos

Tentando iludir o povo

Afirmaram serem eles

El-Rei D. Sebastião

E que voltava de novo

Todos foram desmentidos

Condenados às galés

Pois nas praias dos Algarves

Trazidos pelas marés

Encontraram o cavalo

E farrapos do seu gibão

Pedaços de nevoeiro

A espada e o coração

De El-Rei D. Sebastião

[instrumental]

Depois de Alcácer Quibir

Virá D. Sebastião

E uma lenda nasceu

Entre a bruma do passado

Chamam-lhe o Desejado

Pois que nunca mais voltou

El-Rei D. Sebastião

El-Rei D. Sebastião *

Quarteto 1111: José Cid – voz e teclas António Moniz Pereira – guitarra eléctrica Jorge Moniz Pereira – viola baixo Miguel Artur da Silveira (Michel) – bateria 5

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