Sob uma avalanche de avisos sobre a iminência da bancarrota grega, ainda conseguimos ler avisos sobre a situação noutros países. Agora, o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, figura cada vez mais presente nos noticiários, e parece que também nos pesadelos de muitos habitantes na União Europeia, manifesta as suas preocupações por em França (segundo ele, claro) haver grandes dificuldades em convencer a opinião pública e o mercado de trabalho sobre a necessidade de introduzir reformas no mercado de trabalho. Em contrapartida elogia as reformas feitas em Espanha, que terão tido muito sucesso. Tudo indica que não se está a referir à prisão de Rodrigo Rato.
Entretanto nós por cá continuamos. Ontem o governo aprovou o programa de estabilidade e o plano nacional de reformas para 2015-2019, o qual, segundo as notícias, se for aprovado no parlamento, implicará 600 milhões de euros de cortes nas pensões em 2016, e que a reposição dos cortes salariais na função pública só seja atingida em 2019. Isto quer dizer que a aprovação destas medidas pela maioria parlamentar vai condicionar toda a vida do país, incluindo as campanhas eleitorais e os resultados das eleições que se fizerem. Anda-se a discutir por um lado problemas como a natalidade, lamentando a sua fortíssima quebra, e tentando inventar panaceias, enquanto por outro se agravam as perspectivas para a vida das crianças que nascem. Já nem as estatísticas marteladas conseguem disfarçar o crescimento do desemprego, e que para cada vez mais portugueses a emigração é uma realidade inevitável. Foge-se a reconhecer que a baixa do IRC ou da TSU não criam postos de trabalho. Assim vai a austeridade.
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