A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA – UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – VII – A ENORME FORÇA DE MERCADO DA ALEMANHA E OS SEUS MECANISMOS – por ONUBRE EINZ – 1

Temaseconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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A Alemanha, o seu papel nos desequilíbrios da economia real- o outro lado da crise de que não se fala

Uma análise assente na divisão internacional do trabalho[1]

Uma colecção de artigos de Onubre Einz.

VII – A enorme força de mercado da Alemanha e os seus mecanismos

Onubre Einz, L’irrésistible puissance commerciale de l’Allemagne et ses ressorts

Criseusa.blog.lemonde.fr., 23 juin 2013

Formulámos a ideia de que a Alemanha beneficiou de condições de produção vantajosas de riqueza. Iremos agora analisar como é que as economias de Leste, sujeitas à subordinação da produção de riqueza alemã, contribuem para lhe oferecer vantagens competitivas consideráveis em termos de custos. Também examinamos as razões pela qual a Alemanha alcançou um resultado notável de trocas com os países da Europa Ocidental.

Em suma, examinamos aqui como é que o Made by Germany se acrescenta às vantagens da Made In Germany. O Made In Germany tem pontos fortes conhecidos: qualidade dos produtos, tecido industrial forte e robusto, financiamento bancário ad hoc, co-gestão entre o pessoal de direcção e os sindicatos etc.

O made by Germany tem a brilhante vantagem de bem sublinhar este efeito, este benefício.

Para escrever este texto, escolhemos dois grupos de países: um grupo de países de Leste que reúne a Polónia, a República Checa e a Hungria, um grupo de países do Sul da Europa, que reúne a França, Espanha, a Itália. O primeiro grupo possui as economias integradas (e alguns diriam alienadas) com os interesses económicos alemães. Estas economias são utilizadas para fornecer os elementos que são montados na Alemanha.

O segundo grupo sofre frontalmente os efeitos da divisão regional implementado nas fronteiras da Alemanha, uma vez que é com estes últimos países que a Alemanha realiza os seus excedentes comerciais recordes.

Mas não é o facto dos dados serem ou não completos que aqui nos interessa. É mais importante ilustrar-mos a nossa ideia sobre o elevado grau de adaptação do modelo de crescimento americano que foi alcançado pela Alemanha e os benefícios daí resultantes para a Alemanha. Neste sentido, este trabalho é apenas uma miniatura para entendermos através de que mecanismos a Alemanha alcançou nas costas dos países de Leste verdadeiras proezas comerciais.

Este texto completa pois as análises de dumping salarial estabelecido sob Schröder e moderado depois por Merkel. É uma análise mais precisa do que fizemos para aflorar as vantagens das trocas com os países do leste. Para simplificar a análise, apresentamos a Alemanha como uma base de montagem para melhor sublinhar a lógica económica subjacente para a divisão regional de trabalho criada depois da queda do muro de Berlim. Chegou agora a altura de tornar mais precisa essa análise, fazendo algumas observações adicionais sobre a deslocalização de produções alemãs.

Desde os tempos de Schröder, que o elevado grau de adaptação feito pela Alemanha ao modelo da economia dos EUA permite copiar certos traços do capitalismo americano sem desenvolver todas as suas características. Ora, dois traços do capitalismo americano tem sido bem desenvolvidos na Alemanha desde a década de 2000: a) por um lado um alargamento das desigualdades para benefício das famílias no topo da pirâmide social, penalizando principalmente as famílias dos decis 1-5, e poupando as famílias dos decis 6-9; b) por outro lado dá-se uma queda dos investimentos produtivos de características bem alemães que se traduzem num enfraquecimento industrial do país.

Vamos mostrar, em forma de conclusão, que a divisão regional do trabalho e as trocas comerciais da Alemanha são partes integrantes dessa adaptação da economia alemã ao modelo americano.

(continua)

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Ver o original em:

http://criseusa.blog.lemonde.fr/2013/06/23/iv-lirresistible-puissance-commerciale-de-lallemagne-et-ses-ressorts/

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