Ontem, em Sétif, a trezentos quilómetros de Argel, o secretário de estado francês para os antigos combatentes e a memória esteve presente numa cerimónia de evocação dos milhares de mortos ocorridos nos incidentes de 8 de Maio de 1945, que estiveram na origem da guerra da Argélia. Trata-se sem dúvida de um momento importante. Aqueles incidentes terão tido início quando um jovem, Saal Buzid (ver primeiro link abaixo), desfraldou uma bandeira argelina, tendo sido imediatamente assassinado, assim como milhares dos seus compatriotas, naquele dia e nos seguintes. 70 anos depois, trata-se de um apertar de mãos, que se desejaria que traduzisse uma aproximação entre os dois povos, francês e argelino. Em França, a União de Combatentes (ver também no primeiro link abaixo) afirmou tratar-se de uma provocação (qual terá sido a reacção de Marine Le Pen?) e há que recordar as relações muito tensas entre a França e a Argélia, como Nicolas Sarkozy, que agora parece querer reaparecer na primeira linha da política francesa.
Em todo o caso, pode ter sido um passo importante, não só para a melhoria das relações entre os dois países, como, olhando de uma maneira alargada, entre a própria Europa e a África, e não só o Magrebe. No sábado, ao largo da Líbia, uma barcaça com clandestinos voltou-se, estimando-se o número de vítimas em mais de 900 (ver segundo link abaixo). Dezenas de milhares de pessoas morrem por ano desta maneira, quando procuram vir para a Europa, fugindo às guerras e à miséria nos seus países de origem. Estes, que assim pereceram no sábado passado, julga-se que atravessaram a Líbia, agora transformada em campo de batalha entre facções religiosas e organizações criminais, principalmente devido à convicção dos dirigentes políticos ocidentais de que têm de derrubar os dirigentes dos outros países que não lhes obedecem, ou não cumprem as regras daquilo a que chamam o mercado. Nas mãos de engajadores sem escrúpulos, quase um milhar de pessoas, que procuravam uma vida melhor, encontrou assim uma morte horrível. O primeiro e indispensável passo para evitar mais tragédias semelhantes, é lançar relações de igual para igual, de respeito mútuo, entre as nações de um e outro lado do Mediterrâneo. Esperemos que esta cerimónia de Sétif tenha continuidade.

