CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – ATIREMOS À GEENA OS NOVÍSSIMOS DO HOMEM! – por Mário de Oliveira

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Os séculos de cristianismo são séculos de terror(ismo). Deste terror(ismo) fazem parte os chamados Novíssimos do homem – morte, juízo, inferno, paraíso. Ainda hoje continuam alojados nas mentes-consciências dos seres humanos, ateus incluídos. Nem os filósofos estão a salvo. Pelo contrário, são, até, os mais afectados. Vivem tão ou mais aterrorizados que os ditos crentes católicos ou protestantes. Aliás, são muito poucos os crentes católicos ou protestantes por convicção. Só por nascimento, ambiente cultural, medo, pressão social. As minorias dos privilégios – as mesmas do poder – só subsistem, graças ao medo que os Novíssimos do homem alimentam nas maiorias, suas súbditas. Dessas minorias, fazem parte, as hierarquias de todas as igrejas cristãs, a católica e as protestantes, que usam e abusam dos Novíssimos do homem. Uma invenção bíblica sem pés nem cabeça, transformadas em armas de terror, com as quais mantêm subjugadas, tolhidas, aterrorizadas, politicamente desmobilizadas, as populações. Nem sequer a morte é um novíssimo do homem. Bem pelo contrário. É o culminar do nosso ser-viver na condição de visibilidade histórica, depois do big-bang, explosão de vida inicial, que é a nossa concepção no útero materno, seguida do parto, nove meses depois. Não há aqui nada de terror(ismo). Há tudo de Mistério = uma realidade que se dá a conhecer, à medida que a fazemos crescer de dentro para fora até alcançar o seu apogeu no momento da morte. Não seríamos, sem a explosão de vida inicial. Não conheceríamos a plenitude, sem a explosão de vida final, a morte. Terror? Nenhum! Graça, dádiva, emoção, mistério a rodos, que, acolhidos-praticados, nos fazem humanos, sororais, vasos comunicantes, liberdade-em-acção, comunhão recíproca. Atiremos então á geena os Novíssimos do homem dos cristianismos. Assumamo-nos politicamente na história, em crescente alegria-paz. Para isso nascemos-viemos ao mundo.

23 Abril 2015

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