EDITORIAL – Dia Internacional do Livro

logo editorialDesde há vinte anos, o dia 23 de Abril é celebrado como Dia Internacional do Livro e do direito autoral. Temos com frequência afirmado a nossa aversão a estes «dias» promulgados pela UNESCO – entendemos que além de constituir meras operações de marketing, são também formas de colectivamente aliviarmos a má consciência pelas distorções  que nos levam a comportamentos socialmente condenáveis.

Do mesmo modo que defendemos que dias da mulher, da família, das crianças, devem ser todos os dias, dizemos que o livro deve ser protegido e celebrado todos os dias do ano. E respeitados os direitos de autor, pois à propriedade intelectual deve ser reconhecido o valor que tem entre uma espécie que se distingue das outras pelo intelecto. Em 23 de Abril morreram Cervantes, Shakespeare e Garcilaso de la Vega – coincidência conseguida à custa de uma pequena batota – a de misturar o calendário o .juliano com o gregoriano. Usando só o gregoriano, teríamos William Shakespeare morrendo no dia 3 de Maio (de 1616). A escolha de um autor de língua inglesa e de dois de língua castelhana, demonstra como, no seio da comunidade editorial,  estes dois idiomas se guindaram a uma posição hegemónica. Posição conseguida pela pressão demográfica e pelo valor incontestável das literaturas de expressão inglesa e caastelhana.  Mas nada disto tem grande importância.

Nós, neste modesto blogue, todos os dias celebramos o livro e todos os dias procuramos respeitar o direito autoral. Entendemos que numa sociedade em que a propriedade privada constitui um valor nuclear, não faz sentido que a excepção seja a cultura. É estranho, mas são maioritariamente as pessoas «de esquerda» a defender a liberalização da propriedade intelectual. Como se um poema valesse menos do que um pão, sendo crime roubar o pão, mas aceitando-se o roubo do poema; como se o poeta não precisasse de ser pago para poder comprar o pão. Numa blogosfera onde o desrespeito pela propriedade intelectual se transformou em lei, insistimos em defender a criação de uma ordem jurídica que dignifique este meio que se transformou numa parede de latrina pública.

Na Catalunha, é dia de St. Jordi  (São Jorge) – oferecem-se rosas e livros. São Jorge , padroeiro da Catalunha, matou o dragão que atemorizava o povo, e do sangue do dragão nasceu uma rosa que o santo deu de presente à sua princesa. Dita a tradição que  os namorados ofereçam  livros e rosas aos seres amados. É uma tradição popular e secular enraizada na cultura catalã. Nós, com quase quatro anos de existência, também temos as nossas tradições – hoje, como todos os dias, falaremos de livros e do prazer da leitura.

Em 23 de Abril, 113º dia do ano, celebramos o livro pela 113ª vez em 2015.

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