A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA – UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – VIII – A SUB-ACUMULAÇÃO DO CAPITAL E A CRISE DOS CAPITALISMOS HISTÓRICOS – 3

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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A Alemanha, o seu papel nos desequilíbrios da economia real – o outro lado da crise de que não se fala

Uma análise assente na divisão internacional do trabalho[1]

Uma colecção de artigos de Onubre Einz.

VIII – A sub-acumulação do capital e a crise presente dos capitalismos históricos

Onubre Einz, La sous-accumulation du capital et la crise présente des capitalismes historiques

Criseusa.blog.lemonde.fr., 30 juin 2013

(CONCLUSÃO)

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Conclusão.

A depressão actual fornece-nos elementos suficientes para defendermos as nossas teses. A política de forte austeridade orçamental praticada pelo Japão resultou em vinte anos de baixo crescimento, o Japão oferece mesmo a imagem de uma economia que foi submetida a um choque financeiro afectando os rendimentos e os patrimónios. A economia ainda não se recuperou desde o rebentamento da bolha especulativa formada entre 1986 e 1990. Mas se a crise durou, é garantido que as taxas de acumulação de capital produtivo tem estado a cair ao mesmo tempo que a divisão do trabalho no Japão passava a afectar o peso da indústria.

A Europa é um exemplo claro dos efeitos de uma acumulação de capital insuficiente sobre o longo prazo. A austeridade orçamental – outro nome dado á redução do crédito público – evolui no mesmo sentido que uma contracção do crédito. A economia ficou sem capacidade para crescer. Sobre esta questão é necessário não nos enganarmos sobre o diagnóstico: abandonado a si-mesma, um conjunto económico sofrendo de falta de acumulação de capital não é capaz de efectuar a retoma por si-mesma, pelas suas próprias forças. Daí que a depressão esteja em marcha.

Os EUA apresentam-se como o exemplo mais flagrante de uma insuficiente acumulação de capital produtivo. Os 9000 milhares de milhões de $ líquidos – fornecidas pelo FED e pelo Tesouro – que foram engolidos pela economia têm levado a uma recuperação em meias tintas. O consumo é suportado por operações de QE que artificialmente inflacionam os valores mobiliários e imobiliários, a economia depende dos défices e da dívida do Tesouro que se substituíram aos empréstimos das famílias e das empresas. O investimento radicaliza uma substituição do capital pelo trabalho, mais capital, menos trabalho, o que amplia um subemprego em massa que pesa sobre a situação do mercado de trabalho: longe de aumentar a capacidade de produção, as empresas realizam uma acumulação de capital financeiro, ao invés de retomar a via do investimento produtivo. É óbvio que não tem os meios para sair do labirinto.

A solução encontrada para a crise da década de 1970 está pois em vias de se esgotar nos capitalismos históricos. O argumento do reequilíbrio de crescimento entre os países desenvolvidos e emergentes realmente não é um argumento que seja sustentável.

No estado actual, o processo de desenvolvimento de uns conduziu a um muito perigoso declínio nos outros. Segue-se que a globalização atravessa uma depressão de que ela não se irá levantar apenas com uma mudança da natureza. Será necessário sem dúvida fazer saltar os elementos bloqueadores, que as desvalorizações ou a inflação sejam utilizados para traçar as vias de saída da crise. Tais instrumentos são e serão apenas paliativos; estes paliativos têm o mérito de dar margens de manobra quer no plano político quer no plano da economia. Estas utilizações deixam em aberto a questão do modelo de crescimento e de organização económica para o futuro. Esta questão já foi levantada no final da década de 1970. O mundo bi-polar ainda em funcionamento reduziu as opções viáveis nesse momento. Estamos agora a pagar o preço hoje, uma vez que a revolução conservadora e neoliberal dos anos 80 está em ostensiva falência desde 2008..

Esta depressão repõe o problema da organização produtiva das sociedades desenvolvidas e fá-lo com insistência. É claro que os tratamentos para se saír da crise, cheios de enormes falhanços seguramente, escondem o problema, geram respostas – sem dúvida – ilusórias e deixam a crise produzir os seus efeitos mortíferos. É o défice de projecto político que está no centro do prolongamento da crise que atravessamos. Do nossos ponto de vista, a crise, vemo-la como um efeito a partir do final da guerra fria que deixou ao campo dos vencedores o cuidado de organizar o mundo para alguns e o cuidado de fechar o horizonte histórico para todos os outros..

Onubre Einz. La sous-accumulation du capital et la crise présente des capitalismes historiques. Texto disponível em :

http://criseusa.blog.lemonde.fr/2013/06/30/la-sous-accumulation-du-capital-et-la-crise-presente-des-capitalismes-historiques/

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Para ler a parte 2 deste trabalho de Onubre Einz, A sub-acumulação do capital e a crise presente dos capitalismos históricos, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA – UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – VIII – A SUB-ACUMULAÇÃO DO CAPITAL E A CRISE DOS CAPITALISMOS HISTÓRICOS – por ONUBRE EINZ – 2

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[1] O título dado à  colecção é da responsabilidade do tradutor.

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