Até há 41 anos, em Portugal, o provérbio era, “Abril, águas mil”. De então para cá, passou a ser, “25 de Abril, sempre, fascismo nunca mais!” Se quisermos ser honestos connosco próprios, uns com os outros, com a realidade social-política que hoje somos-vivemos, temos de regressar ao velho provérbio, Abril, águas mil. Ou arriscamo-nos a ficar a ver Abril por um canudo, geração após geração, por força da teimosia messiânica-cristã que nos anda no sangue – somos filhos de um rei conquistador, por isso, ladrão, assassino – na ilusória esperança de que, um dia, desça das nuvens do céu, o messias-cristo vencedor, acompanhado dos seus anjos armados. Só que, com isso, o mais que conseguimos é fortalecer ainda mais o império, quando deveríamos expulsá-lo de vez e à legião de demónios/ideologias que condicionam todas as opções-escolhas que fazemos, para que eles entrem nos porcos, afoguem-se no mar. Como faz Jesus, não o Cristo-Messias, com as populações oprimidas de Gerasa (cf. Marcos 5, 1-20), representadas na pessoa de um homem que “andava sempre, dia e noite, entre os túmulos e pelos montes, a gritar e a ferir-se com pedras”, pior, a matar os seus próprios familiares e a suicidar-se de seguida. Só que esta revolução antropológica-teológica desarmada de Jesus tem, o seu preço. Tem de sair-crescer de dentro de nós, nem que, por via disso, se vão os anéis, fiquem só os dedos, com os quais começamos tudo de novo, sem mais recurso a quaisquer messias-cristos. Conscientes de que todos os salvadores, hoje, são os novos ditadores-tiranos amanhã. Como canta a quadra de Abril 24, do meu Livro “Quadras e Outros Cantos-Poema”, Continua por fazer/ a Revolução a sério/ Todas quantas já fizemos/ Deram mais força ao Império. As populações de Gerasa não quiseram Jesus, nem a sua via política. Pedem-lhe que abandone de imediato a sua terra. E nós? Também preferimos a corrupção com que o Império financeiro global mata o Humano que somos?
24 Abril 2015

