ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL – MENSAGEM

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ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL

Rua da Misericórdia, 95 • 1200-271 LISBOA
Tel. 213 241 420 • E-mail: a25a.sec@25abril.org
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PESSOA COLECTIVA DE UTILIDADE PÚBLICA (DECLARAÇÃO N.º 104/2002, DR-II SÉRIE, N.º 91 DE 18 DE ABRIL) • MEMBRO HONORÁRIO DA ORDEM DA LIBERDADE

 

MENSAGEM

 

Já passaram 41 anos sobre o dia em que o MFA libertou os portugueses de uma ditadura de mais de 47 anos, abriu as portas à Liberdade, à Democracia, à Paz, à Justiça Social.

Durante estes 41 anos, os portugueses puderam decidir dos seus destinos, através de eleições livres, escolhendo os seus representantes nos diversos órgãos do poder.

Muitos avanços se conseguiram, a sociedade evoluiu para melhor, mas, é uma constatação que não podemos ignorar, de há alguns anos a esta parte, o retrocesso vem sendo uma realidade e as conquistas alcançadas vêm sendo destruídas, como se quem exerce o poder esteja possuído de um desejo de vingança, para com os que protagonizaram a madrugada libertadora. Assumindo-se, pelo menos aparentemente, como herdeiros dos vencidos em 25 de Abril de 1974.

Resultado, hoje estamos envolvidos por um pântano de indignidade, com servidores subservientes de interesses alheios aos portugueses ao leme do poder.

Como afirmámos há quatro anos, a crise de valores que vivemos é bem mais grave que a crise financeira em que nos lançaram.

A respeitabilidade e a dignidade do País têm sido postas em causa por dirigentes sem idoneidade para o exercício das funções que têm desempenhado e continuam a desempenhar.

Só não assistimos ainda a acções de ruptura violenta porque, apesar de todos os maus tratos de que têm sido alvo, com destruição da condição militar, os soldados de Portugal têm posto acima de tudo o seu sentimento de dever patriótico, cumprindo todas as missões de que são investidos e garantindo a defesa do Estado Democrático e de Direito.

Acreditamos que o seu sentimento de dever cívico continue a sobrepor-se a todos os sentimentos de revolta.

Neste sentido, teremos de ser capazes de fazer uma ruptura com as políticas que levaram Portugal à situação a que chegou.

Temos de continuar a sonhar, mesmo que nos pareça utópico, com o regresso dos valores de Abril à nossa Pátria.

A indignidade atingiu limites insuportáveis, daí que um dos objectivos fundamentais dos próximos tempos é o de recuperarmos a Dignidade perdida. Temos de consegui-lo!

O pão, a habitação, o trabalho, a saúde, a educação e a segurança social têm de voltar a ser direitos efectivos de todos os portugueses.

Temos de conseguir que cada português possa ter o direito de tornar real a utopia de viver no seu Pais, em condições de dignidade.

Para isso, temos de ser capazes de derrotar a ideologia dos mercados, do individualismo e do egoísmo.

Só o faremos se conseguirmos resgatar a cidadania, se encontrarmos novas formas de expressão e mobilização.

Os cidadãos têm de ser intervenientes nas decisões que lhes dizem respeito, sejam as individuais, sejam as de sentido colectivo.

Por mais difícil e utópico que nos pareça, temos de conseguir praticar uma democracia de corpo inteiro, uma democracia que viva connosco e não seja apenas uma visita que nos venha bater à porta, de tempos a tempos, para nos pedir um voto.

Temos de acabar com a corrupção, com o não cumprimento dos mais elementares deveres por parte dos dirigentes, com a desbragada destruição do parelho de Estado, com a despudorada transferência de tudo o que é público para o sector privado.

Temos de ser capazes de recuperar um verdadeiro Estado Social, devidamente adaptado aos novos tempos que vivemos.

Temos, enfim, de ser capazes de dar resposta aos anseios de uma enorme maioria de cidadãos que se não revê nos actuais partidos políticos e, ainda menos, nos dirigentes que nos desgovernam.

Para isso, temos de conseguir mobilizar as vontades das mulheres e dos homens sérios de Portugal e recuperar os valores que nos fizeram sonhar há 41 anos.

Não o poderemos conseguir se funcionarmos de forma isolada, por isso temos de congregar esforços com os povos europeus que enfrentam problemas semelhantes e, em conjunto, recuperar o projecto solidário, fraterno e justo que nos levou à integração na Comunidade Europeia.

Caros amigos e compatriotas

Nós não desistimos e acreditamos que, com a mobilização de todos os democratas, conseguiremos recuperar os valores de Abril, para a nossa sociedade.

É essa a nossa convicção, é essa a nossa esperança, é esse o nosso desafio, é esse o nosso compromisso!

Viva Portugal!

Viva o 25 de Abril!

Abril 2015

A Direcção

1 Comment

  1. Quando no Facebook me deparo com uma comunidade intitulada «25 de Abril – pior dia de Portugal» ou com comentários e juízos que vão em sentido idêntico… apetece perguntar:

    Algum/a de vocês viveu nos 30, 40, 50 anos ANTES do dia 25-4-74? Qual era a taxa de analfabetismo? Quantas as universidades e onde? Quem as podia frequentar? Quantos liceus, onde e quem podia frequentá-los? Quem podia ter automóvel? Frigorífico? Qual a idade média da esperança de vida? A mortalidade infantil? Em 90% da população, quem é que morria com assistência médica e medicamentosa? Quanto ganhava um jornaleiro (era uma profissão!) nos dias em que encontrava trabalho? Sabem o que podia comprar com a jorna? Ou um pescador? Ou mesmo um/a empregado/a no comércio? Viram os filhos deles de barriga inchada pela FOME? Nus nas aldeias, ranhosos, a cabeça cheia de piolhos? Vocês não sabem nada do que era a vida de 90% da população antes do dia 25-4-74, NADA! Nem se lembram a que devem o poderem vir aqui dizer LIVREMENTE o disparate que serve de título à vossa comunidade.

    Aos que há 41 anos arriscaram TUDO, simplesmente MUITO OBRIGADO.

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