Um post , publicado na passada terça-feira, em que se opinava sobre um recente caso ocorrido entre os treinadores de duas das principais equipas de futebol, desencadeou uma onda de comentários que outros artigos, do mesmo autor ou de outros, abordando temas de crítica social, política, versando sobre questões de importância vital para a vida dos cidadãos, não provocam.
Compreende-se que se goste de futebol, tal como se compreende que se não goste. Já aqui temos verberado o ar de repugnância com que algumas pessoas se demarcam da «escória» de apaixonados por essa modalidade; temos lembrado que «ignorantes» como Jean-Paul Sartre, Carlos Drummond de Andrade, Ernesto Sábato, Picasso, Jean Cocteau, Vinicius de Moraes, eram fervorosos adeptos de clubes de futebol; Albert Camus, Prémio Nobel da Literatura, foi mesmo guarda-redes profissional do Racing de Argel, carreira que interrompeu devido a ter contraído uma doença pulmonar. A atitude aristocrática de quem se considera superior por não gostar de futebol é ridícula. Mas pôr o futebol acima de tudo e desculpar actividades criminosas de dirigentes desportivos se forem exercidas «em proveito do nosso clube» é, além de pouco inteligente, uma forma de reaccionarismo activo, um contributo para o enfraquecimento da democracia, um apoio a quem rouba e oprime, um contributo para que a injustiça social prevaleça.
Por isso, embora quase todos nós, os que diariamente fazemos este blogue, gostemos de futebol e tenhamos opções clubísticas, não comentamos jogos e evitamos discutir os fait-divers; apenas abordamos o tema na perspectiva histórica. É interessante e curioso, que com uma realidade política tão rica de acontecimentos, seja o futebol a concitar tanta atenção. Quanto aos comentários, alguns têm de ser suprimidos – não se trata, como alguns leitores têm dito, de fazer censura, «aprovando o que elogia e cortando o que discorda», como disse um dos comentadores. O blogue não é um espaço público, tem donos e tem responsáveis. Do mesmo modo que só colabora quem é convidado, só comenta quem respeita os critérios que nós definimos e que são, concordando ou discordando, elogiando ou verberando, exigirmos um absoluto respeito por quem pensa de modo diferente.
Não aceitamos linguagem que, obscena ou não, seja imprópria de um debate entre pessoas civilizadas. Se quiserem chamar «censura» a esta operação de higiene…

Mainada , abola équeinduca,o Fado équeinstrói .