Adeus ó Mar!
Nascemos para estampar no azul
um borboletear de velas brancas
e de Norte e Sul
cavalgar as monótonas ondas…
Nascemos favorecidos
desde a Nau Catrineta
de Saudade ladrilhados
tendo ao leme o poeta…
Litoral da indiferente Europa
beira-mar d’alma
marulhando-lhe à porta
nossa vida de espuma…
Tirar-nos o grande Mar
tempestade ou bonança
foi tirarem-nos o lugar
onde nos cabia a esperança…
Hoje somos sussurro leve
argonautas de pintura…
– Que a Senhora da Guia nos salve
com a última aventura!
Triste rouquidão das ondas
areias lisas de outrora
fosforescências e lendas
foi-se tudo embora.
Ó grande Mar Atlântico
lavra sofrida do português
banho de desgosto patético
só no fado te revês…


