CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – O ENSURDECEDOR SILÊNCIO DOS BISPOS E DO PAPA – por Mário de Oliveira

quotidiano1Enquanto os povos de diferentes países de África, espoliados da sua dignidade humana e dos seus bens, nomeadamente, o petróleo, arriscam-perdem a vida todos os dias no Mar Mediterrâneo, para chegarem à Europa, onde continuam a ser humilhados, espoliados; e enquanto, por cá, os funcionários do Fisco, ao serviço do Estado, recebem milhões de euro de prémio, por extorquirem até a camisa às populações, sem nunca beliscarem nos interesses dos grandes grupos financeiros – mantem-se, cada vez mais ensurdecedor, o silêncio dos bispos, do próprio papa de Roma, perante o degradante espectáculo dos peregrinos de Fátima, eternos pagadores de promessas, que, nestes meses de Maio a Outubro, rumam até ao santuário da nossa vergonha-humilhação, onde chegam a assumir posturas de vermes rastejantes. Para lá das efectivas perdas de vidas, durante o percurso, devido a atropelamentos, ou a enfartes, por exaustão. Um silêncio com tudo de pecado/crime de assassínio por negligência. Para cúmulo, vós, meus irmãos bispos, ainda conseguis viver de consciência tranquila, perante populações possessas de ancestrais medos, aos quais elas próprias insistem em chamar “fé”. No que contam, de resto, com a atroz cumplicidade de jornalistas pés-de-microfone. A fé cristã que dizeis professar faz de vós uma elite, no topo da pirâmide, sacerdotes de um Deus que gosta de populações assim, rastejantes, uma vez que nem sequer o seu próprio filho poupou da maldição da cruz, num sacrifício de redenção pela humanidade ferida por um pecado original que, afinal, nunca existiu! Sabei, entretanto, que a vossa fé-teologia cristã é intrinsecamente má e faz de vós cegos e guias cegos, a conduzir as populações para o abismo da humilhação, indignidade. Até quando pactuais com toda esta degradação humana, em nome de uma fé que vos faz cristãos, divinos, quando, à luz da Fé-teologia de Jesus, o maior imperativo ético é que sejamos plena e integralmente humanos?! Até quando?!

6 Maio 2015

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