É verdade que ninguém consegue ser completamente isento a transmitir notícias, tal como também não consegue noutros sectores da vida humana. Todos nós somos manipulados por sentimentos e relações sociais e quem trabalha na comunicação social não é excepção. Por isso é que se deve insistir em haver a máxima transparência na informação e favorecer o debate e a participação. Entretanto, durante muito tempo falou-se sobre o perigo de uma comunicação social dominada pelo estado. Hoje em dia, temos de enfrentar o peso da oligarquia financeira que controla a maior parte da comunicação social.
Ontem, na sua coluna de opinião, no Guardian (ver primeiro link abaixo), George Monbiot disse-nos que nas eleições de amanhã no Reino Unido há questões muito importantes em questão, mas que a comunicação social britânica as está a ignorar. E mais abaixo, acrescentou:
A cobertura política, durante as eleições, é mais trivial e evanescente do que nunca. Onde poderíamos ter esperança de esclarecimento sobre as questões sobre as quais vamos votar, encontramos tagarelice sobre os hábitos e o estilo dos líderes políticos, uma obsessão com mudanças estatisticamente pouco significativas nas sondagens de opinião e especulações vazias sobre cenários possíveis. (Tudo isto é agora misturado com o nascimento de um bebé real, o que significa que as nossas cabeças têm de ser encharcadas simultaneamente num vaso de adulação babosa). Qualquer um é levado a pensar que a comunicação social não quer que entendamos as escolhas que temos pela frente.
George Monbiot fala sobre as eleições britânicas, mas o que ele diz aplica-se a outros países como o nosso. Estamos a poucos meses de eleições parlamentares. Por muito desacreditada que esteja a democracia representativa, temos de debater as questões nacionais (austeridade, saída do euro, dogma das privatizações, destruição dos serviços públicos, tantas outras), até para se conhecerem melhor as alternativas possíveis. Entretanto, puseram-nos já a discutir as eleições presidenciais. São sem dúvida muito importantes para o país. Mas nas eleições legislativas debatem-se as questões do país, e a partir dos seus resultados forma-se governo. Deixar o terreno livre ao PS e PSD/CDS é deixar tudo na mesma. Isto é, cada vez pior.
Propomos que cliquem aqui:
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4551218

