REFLEXÃO – Publicidade criminosa – por Adão Cruz*

reflexao2*Médico cardiologista

Há dias, no café, alguém dizia que determinado cliente tinha morrido pelo facto de andar a tomar um remédio desses que anunciam na televisão. Não sei se é verdade ou mentira. O que sei é que a televisão está infestada de vergonhosa e nociva publicidade, agora também sobre remédios.

Eu não vejo televisão. No entanto, no café e no restaurante onde habitualmente como, não posso deixar de olhar para aquilo que é um vazadouro de lixo na maior parte das horas do dia. Todavia, para além de muitos programas serem para atrasados mentais, sabemos que há coisas boas e dignas.

Mas o que mais incomoda é a publicidade. Todos sabemos que a publicidade, de uma maneira geral, é uma fraude e uma aldrabice. Para quem guie a sua vida pela razão, pela lucidez e pelo bom senso é-lhe indiferente a maravilha do soutien X, a beleza das cuecas Y, a vitalidade do champô Z, bem como a maior parte das patranhas anunciadas. No entanto, já não pode ficar indiferente perante a criminosa propaganda a inúmeros “remédios” e aos seus milagres. Ele é para gripes, ele é para dores, para os ossos, para a ansiedade, para o cérebro, para a performance sexual (esta particularmente ridícula e nojenta). Nunca se anunciou tão alto as virtudes da estupidez e nunca se assistiu a tão obscena e agressiva desfaçatez. No tempo de Salazar (o diabo seja surdo, cego, mudo!), nem uma simples aspirina era permitido publicitar.

Provavelmente será tudo enganosa panaceia, o que não deixa de ser um crime que deveria ser severamente punido, em qualquer governo minimamente decente. Mas o que mais aflige é ver por trás de alguns remédios, perigosos, com efeitos secundários e interacções medicamentosas que podem ser graves, o nome de laboratórios idóneos que perderam a vergonha e a dignidade. Para mim, definitivamente proscritos.

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