MOVIMENTO de APOIO ao MUSEU MIGUEL BOMBARDA – COMUNICADO – PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO PARA O EDIFÍCIO PRINCIPAL

Hospital_Miguel_Bombarda

Caros membros e amigos do Movimento

O Movimento de Apoio ao Museu Miguel Bombarda apresentou a partir de 13 de Abril ao Governo (Primeiro Ministro, Ministra de Estado e das Finanças, Ministro da Saúde e Secretário de Estado da Cultura) e ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, uma Proposta urgente para Desenvolvimento e Alargamento do Museu Miguel Bombarda para o Edifício Principal, recentemente classificado. (VER TEXTO NO 1º ANEXO).

Solicitamos a todos a leitura e divulgação desse importante documento em prol da Salvaguarda da Cultura Portuguesa, junto de amigos e colegas.

Também está em curso uma Petição de apoio a esse Alargamento, cujo exemplar de recolha enviamos, para quem quiser colaborar.

Recentemente realizaram-se conferências de divulgação, na Faculdade de Letras e no Auditório da Ordem dos Médicos, em Lisboa.

Reproduzimos a seguir o comunicado enviado ontem dia 8 de Maio aos jornais, rádio e televisão, acompanhado em alguns casos por contactos pessoais. Apesar do bloqueio prevalecente em Portugal contra a defesa do património e do estigma face à doença mental, conseguimos para já que o Expresso publicasse hoje uma pequena notícia e o Público on line de ontem publicasse um artigo. (VER ANEXOS), além de referências em redes sociais.

A vossa colaboração é muito importante neste momento.

Obrigado a Todos

Movimento de Apoio ao Museu Miguel Bombarda

e Entidades Subscritoras

 

 

………

 

PRESS RELEASE  URGENTE

 

Movimento e Petição propõem Desenvolvimento do Museu Miguel Bombarda para o Edifício Principal

 

Movimento cívico solicitou ao Governo e à Câmara Municipal de Lisboa, em Proposta detalhada, o alargamento urgente do Museu Miguel Bombarda, para todo o edifício principal, classificado em Outubro de 2014.

O ex Hospital Miguel Bombarda, encerrado em 2011, é um património muito raro a nível mundial, pela diversidade e qualidade do seu conjunto interdependente de componentes, que deve permanecer no local, como recomendado pela Assembleia da República. E só uma pequeníssima parte desse acervo está atualmente exposto no Pavilhão de Segurança.

O desenvolvimento do Museu Miguel Bombarda de Arte e Ciência, inovador e singular, prestigiante para o país,  é a única reutilização que respeitará a própria classificação do edifício, erigido pela Congregação de S. Vicente de Paulo, com interiores originais que resistiram incólumes ao terramoto de 1755.

Exatamente há 100 anos Fernando Pessoa publicou na Orpheu a poesia de Ângelo de Lima, internado no Miguel Bombarda: vamos hoje desperdiçar esta oportunidade de promover a criatividade, por discriminação e preconceito face à doença mental?

O movimento cívico, apoiado pelas Sociedades Portuguesas de Psiquiatria, de Neurologia, de Arte Terapia, de Arte Outsider, e da Congregação de S. Vicente de Paulo, irá brevemente entregar uma petição, com mais de 1000 assinaturas manuscritas, de médicos e outros profissionais de saúde, de intelectuais, cidadãos e moradores da zona, além de personalidades como o Arq. Nuno Teotónio Pereira, o Prof. João Lobo Antunes, a artista plástica Joana Vasconcelos, os historiadores de arte Prof. Raquel Henriques da Silva e Prof. Vítor Serrão, o crítico de arte Alexandre Pomar e a cineasta Margarida Cordeiro.

A proposta prevê: surpreendentes locais de visita como o Pavilhão de Segurança, o Balneário, o salão nobre com azulejaria barroca, a sala do museu de arte de 1898, dos primeiros do mundo, ou a Igreja rocaille; espaços para exposições permanente e temporárias, da fascinante arte de doentes ou outsider, da coleção do Hospital e dos cerca de 50 ateliês do país, e de história da instituição; e espaço para acondicionar o acervo de arte, de fotografia, de material clínico, de mobiliário e o vasto arquivo clínico e documental, este aberto, após catalogação, à investigação em Medicina, Ciências do Cérebro e da Mente, História, História de Arte, Sociologia, Antropologia, Biologia, etc.

Será um museu de sítio, instalado a curto prazo e desenvolvendo-se de modo faseado, com um investimento muito reduzido, mantendo a identidade e o espírito do local, sem dispendiosas cenografias, mas proporcionando um elevado número de visitantes que garantirão a sua sustentabilidade financeira.

O Museu Miguel Bombarda de Arte e Ciência, celebrando a criatividade, será um museu de turismo cultural, factor de crescimento económico, e revitalizador dessa zona deprimida de Lisboa.

Em Anexo: Proposta  apresentada ao Primeiro Ministro, Ministra de Estado e das Finanças, Ministro da Saúde, Secretário de Estado da Cultura e Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Fotos: edifício principal, e salão nobre.

Movimento de Apoio ao Museu Miguel Bombarda

(contacto tel 933 207 951)

PROPOSTA  AO  GOVERNO  E  À  CÂMARA  MUNICIPAL  DE LISBOA

PELO DESENVOLVIMENTO URGENTE DO

MUSEU MIGUEL BOMBARDA

DE ARTE E CIÊNCIA

UM TESOURO PARA O FUTURO, PRESTIGIANTE PARA O PAÍS            

O ex Hospital Miguel Bombarda é um património muito raro, ou mesmo sem paralelo a nível mundial, pela diversidade e qualidade das suas valências, que incluem edifícios vanguardistas, inseridos num espaço secular de quinta, convento e hospital, uma das mais antigas coleções de arte de doentes (c.5000 obras), um notável acervo de fotografia (c.5000 exemplares), de material clínico e de mobiliário, além de um precioso e vasto Arquivo, com dezenas de milhares de processos, livros de registo, relatórios, correspondência, múltipla documentação social, etc, desde 1848. (anexo)

Só uma pequeníssima parte do acervo está exposto no atual Museu do Hospital, fundado em 2004 (visitado por 40000 pessoas, sobretudo estrangeiros), instalado no Pavilhão de Segurança, o edifício a que os visitantes têm acesso. O restante acervo e todo o arquivo foram transportados, aquando do encerramento em 2011, para o Hospital Júlio de Matos.

Recentemente (DR, 6-10-2014) foi aprovado o processo de Classificação do Edifício Principal, integrando-o no Conjunto de Interesse Público já existente, do Balneário D. Maria II e do Pavilhão de Segurança, com todo o recinto incluído na Zona Especial de Proteção, mas com características por definir… A Classificação é uma importante vitória do movimento contra os projetos imobiliários, que só iriam desertificar mais a zona.

A Cultura Portuguesa está perante uma oportunidade que não deve desperdiçar. Com efeito, a única e digna reutilização possível para todo o Edifício Principal, só poderá ser a ampliação do Museu, por manter a identidade histórica do imóvel e a preservação dos notáveis interiores.

Este património continua em risco. Assim, a totalidade do acervo e do arquivo deve regressar ao Hospital, e o Museu deve ser desenvolvido e ampliado a curto prazo, sem esperar por novos e dispendiosos projetos arquitectónicos e discussões durante anos sobre a Colina de Santana… enquanto se degrada ou se vandaliza o património. Seguindo, aliás, a específica Recomendação da Assembleia da República ao Governo sobre o Hospital Miguel Bombarda, aprovada por unanimidade, que indica a valorização “dos elementos artísticos, documentais, clínicos e o mobiliário” e a serem mantidos no Hospital (Resolução nº 99/2011 de 6 de Abril, DR, 2-5-2011).

Será um Museu de Arte e Ciência, de Arte de Doentes e Arte Outsider, de Ciências da Mente e do Cérebro, de História, Sociologia, e outras, com Centro de Investigação, museu de sítio e identitário e um dos mais representativos do género a nível internacional, instalado no Edifício Principal e, pelo menos, nos pequenos Pavilhão de Segurança, Balneário D. Maria II e Laboratório. E com nome do mais prestigiado médico-cientista do país na sua época, que fundou no Hospital um dos primeiros Museus de Arte de Doentes da Europa, e o dirigente máximo da revolução republicana.

Este Museu inovador e singular, com o passado a servir a ciência do futuro, não pode ser rejeitado, por ignorância ou miserabilismo, ou por despeito, como é frequente suceder no país. Ao exibir a criativa e fascinante Arte de Doentes de crescente popularidade (hoje sem local apropriado de exposição em Portugal), promoverá a saúde, elevando a auto estima, e desmistificando a perturbação mental, contra o estigma e a discriminação.

O Museu será autónomo de um futuro Museu no Hospital de S. José, dada a sua especificidade e segundo a tendência museológica internacional (anexo), dependente, em modelo a fixar, do Ministério da Saúde, através do INSA-Museu da Saúde, e da Secretaria de Estado da Cultura, em eventual parceria com o Município de Lisboa (que reutilizaria os edifícios em poste telefónico e em U para exposições), suportado por verbas do Casino e da União Europeia, a não perder, e de mecenato, e com apoio científico e financeiro de entidades da sociedade civil. A venda seria cancelada pela Estamo-Ministério das Finanças ou o Município permutaria o terreno, como tem efetuado.

O Museu ampliado será uma instituição dinâmica e próxima da auto-sustentabilidade financeira corrente, de turismo cultural, nacional e estrangeiro, primeiro na Península pelos seus conteúdos, revitalizador dessa zona histórica. E que será instalado a curto prazo, praticamente sem obras de vulto, mantendo a identidade dos interiores, desenvolvendo-se de modo faseado, e sem dispendiosas cenografias expositivas.

Solicitamos assim ao Governo e à Câmara Municipal de Lisboa que, não desper-diçando esta oportunidade e pelo superior interesse nacional, procedam ao desenvolvimento urgente do Museu Miguel Bombarda de Arte e Ciência, baseado nesta consistente proposta, um pequeno investimento em cultura, de imediato e elevado efeito económico multiplicador, e de enorme prestígio para o país.

As suas 3 componentes principais atingirão públicos alvo diferentes, atraindo portanto um elevado número de visitantes: 1ª Edifícios únicos no mundo (o extraordinário Pavilhão de Segurança, de 1892-1896, o elegante Balneário D. Maria II, de 1853, a ser restaurado, com o equipamento de hidroterapia original) só por si peças museológicas surpreendentes, e locais emblemáticos (gabinete onde foi assassinado Miguel Bombarda, Sala do Museu de 1898, Salão Nobre com azulejaria barroca, Igreja rocaille c.1738, e outros) todos de forte atração; 2ª No Edifício Principal, acervo e exposições da exuberante arte de doentes e arte outsider, tanto da coleção do hospital (pintura, azulejos, escultura, poesia e prosa) como das dezenas de ateliês existentes no país, de inéditos artistas outsider, e de intercâmbio internacional, de assinalável e crescente adesão; 3ª No Edifício Principal, acervo e exposições sobre saúde mental, história da ciência e do Hospital, além da catalogação e acondicionamento do acervo e do riquíssimo Arquivo (talvez o mais completo do país), estes ocupando dois pisos.

Existirão ainda dois núcleos museológicos, um dedicado à Congregação da Missão de S. Vicente de Paulo, que erigiu o edifício principal, e outro dedicado à implantação da República, que incluirá o gabinete do Prof. Bombarda e a sala contígua. Funcionará o Centro de Investigação, compreendendo Biblioteca e o Arquivo. Imprescindível será uma Galeria, para venda permanente de obras de artistas outsider, também fonte de receita, um Atelier e Centro de Apoio de materiais de arte para autores outsider, a realização de conferências e workshops, e um serviço educativo com percursos guiados. Foi já elabo-rado um primeiro plano de reutilização do Edifício Principal, um layout das áreas destinadas às diversas funcionalidades.

             Prof. Maria Luísa Figueira, Presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental

             Prof. Victor Oliveira, Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia

             Dr. João Azevedo e Silva, Presidente da Sociedade Portuguesa de Arte Terapia

             Dr. Vítor Albuquerque Freire, Presidente da Associação Portuguesa de Arte Outsider

             Pe. Álvaro Cunha, Padre Provincial da Congregação da Missão de S. Vicente de Paulo

             Movimento de Apoio ao Museu Miguel Bombarda (apoiobombarda@hotmail.com)

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Ver em mais:

MUSEU MIGUEL BOMBARDA / MIGUEL BOMBARDA MUSEUM

 

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