DIA DA GALIZA.”É Galiza” – Verónica Martinez Delgado*

*(Verónica Martinez Delgado )

Galiza é, como se poderia dizer de muitas nações sem estado do continente europeu, um estado de ânimo, uma ideia que fica muito longe de poder ser exprimida com precisão. Uma região, de mantermos a terminologia do império que impera no interior do território, que luta por conseguir uma identidade, que seja própria, quer seja alheia. Essa identidade é, com efeito, a espanhola (a real, de facto), a galega isolacionista (um direito que a sociedade galega tem como pertencente à Espanha, segundo o papel que outorga a falsa nação espanhola) ou a galega internacional (de uma perspectiva histórica, sempre minoritária e vexada de muitos pontos de vista). O isolacionismo não é senão uma ferramenta para autodefinirmos esse estado de ânimo, para descrevermos um sentimento de pertença a qualquer coisa, a uma ideia sempre utópica que confrontar, na simplificação de quem sempre se considerou inferior, a distopia da colonização. A celebração das letras isoladas, hoje é para quem tome em consideração a possível independência do território; faz com que o pulo preciso reafirme a vontade de ser, sustente a diferença, mas, além de proporcionar argumentos contra o invasor, afasta dum verdadeiro vínculo com Portugal. Para a direita reacionária espanhola, o dia das letras isoladas, representa o folclore popular, que sempre nos afastou, como povo, da língua culta e normalizada, papel que ocupava e ocupa o castelhano. Não admira, portanto, que essas duas concepções possam confluir num único dia, numa única celebração que, porém, responde ao facto de existirmos, de sobrevivermos, a pesar de tudo.

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