


Para barrar o caminho à Frente Nacional, o jornal Le Monde apela …a que se aprofundem as reformas ( de Bruxelas)

Do Blog L’espoir : Pour barrer la route au FN, Le Monde appelle… à “approfondir les réformes”

Editorial do Le Monde de 27 de março de 2015: dois antes das eleições da segunda volta das eleições departamentais, Gilles van Kote apela aos eleitores republicanos: É NECESSÁRIO fazer barragem à Frente Nacional.
A sua solução? À direita: esta deve reconstruir-se, por último, ou seja essencialmente, escolher-se um chefe (Waouh!). “À esquerda”, não se deve render às sirenes “do imobilismo”, e sobretudo REFORMAR, reformar ainda e ainda.
Resumidamente, tudo fazer e como antes.
Face au FN, républicains, ressaisissez-vous !
Gilles van Kote, editorial de 27 de Março de 2015.
Editorial do “Monde”. Não haverá nenhum desfile organizado contra a Frente nacional. A FN no entanto obteve mais de 25 % dos votos na primeira volta das eleições departamentais, dez meses depois de ter terminado à frente nas eleições europeias de 2014. E como nós reagimos, como é que a sociedade francesa reagiu a este resultado sem precedentes para as eleições locais? Por uma forma de tetania, de indiferença… Na noite da primeira volta, domingo 22 de Março, alguns pareceram mesmo ficarem aliviados por verificarem que a Frente nacional permanecia distante dos 30 % que lhe tinham prometido certas sondagens. Os mesmos tranquilizar-se-ão provavelmente na noite da segunda volta, insistindo sobre a vitória do UMP.
É um erro. A situação é bem mais grave que a de 21 de Abril de 2002, quando Jean-Marie Le Pen se tinha qualificado para a segunda volta das eleições presidenciais com 17 % dos votos . Primeiramente, porque na época a sociedade tinha mostrado a sua rejeição de um movimento xenófobo, antieuropeu, retrogrado, perigoso. Nós – quase dois milhões de pessoas – tínhamos marchado no 1º de Maio de 2002. E tínhamos votado massivamente a 5 de Maio: 80 % dos votos no candidato republicano, Jacques Chirac. Nada disso em 2014 ou 2015: os republicanos, de direita como de esquerda, assistem à subida do FN, de costas para a parede, entre passividade e pânico.
Marine Le Pen quer conquistar o poder
Seguidamente porque Jean-Marie Le Pen, na época, não procurava, na verdade, a vitória, contentando-se em conduzir a sua campanha das presidenciais sem uma verdadeira estratégia, sem trabalho de implantação em profundidade. Depois da passagem de testemunho para a sua filha, em Janeiro 2011, a situação é radicalmente diferente: Marine Le Pen quer conquistar o poder. E procura ter os meios.
A sua estratégia é clara: colocar-se no centro dos debates – tem tido êxito, ao ponto de dominar a agenda mediática e política desde últimos três anos; dar a imagem de um partido que se banaliza – a operação funciona e os diques cedem uns após outros; implantar-se através das eleições locais – é o que está a fazer, com progressões históricas sempre que o faz.
A situação é bem mais grave que no dia 21 de Abril de 2002. Porque o aparecimento da FN destabiliza os equilíbrios da Vª República, como ameaça também os fundamentos da sociedade e da nossa economia. Manuel Valls e Nicolas Sarkozy, cada um à sua maneira, efectivamente compreenderam-no bem, evocando o risco mortal para o seu partido respectivo de uma eliminação a partir da primeira volta de uma eleição presidencial.
Conhecem-se as causas desta situação. As que resultam de um sistema político à extremidade em extrema dificuldade e sem espaço de manobra, marcado pela abstenção de massa, o descrédito da palavra política, as promessas não cumpridas, a esclerose do mundo político. (AH?! E porquê ?) . E as que têm a ver com a própria sociedade francesa: este grande medo da desqualificação das classes médias, a profunda cólera das classes populares, o sentimento difuso que a França perdeu o seu lugar e que a Europa é ameaçada pela subida em força dos países emergentes e as fracturas do mundo muçulmano.

É necessário a mobilização para domingo
O que fazer? É necessário mobilizarmo-nos no Domingo e votar à direita ou a esquerda, contra a FN, é uma evidência. Mas isto já não chega. É necessário doravante considerar que a FN pode, um dia, ganhar uma eleição presidencial. É necessário atacar-se ao seu programa, sobre o fundo, metodicamente, para mostrar todos os seus perigos.
[Aí está, os trabalhadores e os empregados têm sobretudo o ar de estarem a pensar que é a mundialização a todo o vapor é que é perigosa para eles… como que …] ( No original, assim entre parêntesis recto)
[Esse papel de crítica à FN] é o papel dos meios de comunicação social, dos intelectuais, dos peritos, mas isto também já não chega.
A direita tem uma responsabilidade particular. É a ela que cabe propor um projecto de alternância ao poder em funções.
Ora, desde há três anos, a UMP está minada pelas guerras intestinas, pela recusa em analisar as razões dos seus malogros e a incapacidade a trabalhar sobre os meios para transformar a França.
Que projecto? Que programa? Que método? É na oposição que se prepara uma eventual alternância, ora a direita já perdeu muito tempo. Republicanos de direita e do centro, ao trabalho!
A esquerda tem menos ainda escolha. Enquanto que François Hollande é tentado pelo imobilismo, o governo deve, pelo contrário, prolongar as reformas, aprofundá-las, amplificá-las , para modernizar a nossa economia, para a tornar mais competitiva. Com mais de 5 milhões de desempregados, não tem outra escolha. Excepto a de assumir o risco – e a responsabilidade – de abrir as portas do Eliseu à Frente nacional.
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O texto de Le Monde está disponível em:
http://www.lemonde.fr/idees/article/2015/03/27/face-au-fn-republicains-ressaisissez-vous_4602819_3232.html
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vendo esta linguagem propria do PREC percebemos porque o Le Monde deixou de vender e parece um pasquim. (Parece ou é?)