Fiquei parva com a notícia: A partir de Setembro, os utentes do Serviço Nacional de Saúde com depressão ligeira a moderada iam poder contar com uma plataforma digital de autoajuda, prescrita pelo médico de família, para combater a doença e prevenir o suicídio! Será que tinha lido bem? Infelizmente sim!
Esta plataforma, que faz parte de um projeto da EUTIMIA – representante em Portugal da Aliança Europeia contra a Depressão. E de que se trata? É apresentada como uma ferramenta, de uma prática “cognitiva comportamental”, por módulos, que as pessoas utilizam quando é prescrita pelo médico de família, e que depois é guiada pelo próprio médico de família ou enfermeiro ou psicólogo dos cuidados de saúde primários, que trabalham em equipa.
A plataforma tem oito módulos, o que significa que em oito semanas se faz o tratamento, e “basicamente responde às necessidades de 90% dos doentes com depressão nos cuidados de saúde primários”.
Será mesmo? Depressão tratada em oito semanas? E todos os utentes usam internet e smartphones? Não, pois não?
Não consigo perceber qual a posição do Ministério da Saúde, mas, se mete médicos de família, decerto está ao corrente… O dito responsável pela “introdução” desta medida, o psiquiatra Ricardo Gusmão, é docente na Faculdade de Ciencias Medicas de Lisboa, Clinica Universitaria de Psiquiatria e Saude Mental.
Consultando a internet, em Portugal, sobre a Eutimia, só ficamos a conhecer a morada. Do site europeu, vêm um auto-teste para se responder para sabermos se somos deprimidos ( http://www.eaad.net/mainmenu/depression/self-test/) Nem me atrevi a abrir, não fosse ficar ligada a algum tipo de vírus, se não informático, pelo menos “deontológico”.
Entretanto, a Ordem dos Psicólogos emitiu o seguinte comunicado: “A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) foi surpreendida pela notícia e comentários do psiquiatra e presidente da associação EUTIMIA, Dr. Ricardo Gusmão, que “a partir de Setembro, os utentes do Serviço Nacional de Saúde com depressão ligeira a moderada vão poder contar com uma plataforma digital de autoajuda prescrita pelo médico de família para combater a doença e prevenir o suicídio”.
O aparecimento de notícias como esta servem, infelizmente, para criar expectativas exageradas na população e justificam as políticas de fraco investimento na saúde mental dos cidadãos.
A utilização de novas tecnologias como adjuvantes nas intervenções é um campo promissor e poderá, no futuro, ter um papel mais relevante no alcance dos resultados desejáveis para as intervenções. Contudo, é exagero a reificação da plataforma, confiando que a existência de uma tecnologia é substitutiva da intervenção desenvolvida por profissionais que são formados ao longo de vários anos para o efeito. Ainda mais quando os resultados das intervenções demonstram que as técnicas contribuem com uma pequena parte para o resultado final da intervenção. Desta forma, afirmar que a aplicação faz psicoterapia é não só um abuso de linguagem, como uma extrapolação da eficácia para aquilo que pode ser um instrumento útil, mas limitado.
As questões da saúde mental são complexas e diversas, exigem recursos e profissionais formados para responder a essa complexidade e não se comprazem com visões simplistas.
É tempo de encontrar a forma de dotar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) dos recursos relevantes à resolução dos problemas da saúde mental dos portugueses, tão afectados nestes tempos de crise.
É necessário fazer da contratação de psicólogos para o SNS uma prioridade.
Que fique claro desde já que não a conheço mas sei quem é porque me dei ao trabalho de pesquisar.
Obviamente, houve um claro equívoco disseminado por alguma comunicação social e do qual várias pessoas putativamente responsáveis acharam por bem fazer eco sem irem à fonte.
A palavra “psicoterapia” tem duas leituras, uma estrita e outra mais lata. Lamento muito, mas tem. Há intervenções psicoterapêuticas de elevada intensidade, a típica “psicoterapia” de frequência semanal e duração de 40-50 minutos, com inspiração basicamente em dois modelos, o psicodinâmico e o cognitivo-comportamental. E depois há intervenções psicoterapêuticas de baixa-intensidade e dentro destas o modelo cognitivo-comportamental é mais frequente (por motivos óbvios diria eu). Já agora, a minha formação de base é psicodinâmica.
Desde o dia 27 de maio que o site da EUTIMIA é público (www.eutimia.pt) e talvez se lá for possa desfazer alguns equívocos e informar-se melhor. Por exemplo, poderia questionar-se porque nos foi atribuído o Estatuto de Utilidade Publica. E porque ganhámos 2 projetos em 9 de saúde mental das EEA Grants.
No mesmo dia em que a Clara Castilho publicava o post acima, e no dia a seguir ao comunicado da Ordem dos Psicólogos, tivemos o prazer de introduzir em Portugal uma das duas intervenções psicoterapêuticas de alta intensidade validadas cientificamente para a abordagem de quadros clínicos complexos em setting especializado, como sejam a perturbação borderline, os estados mistos e os comportamentos autoagressivos recorrentes, ou seja, a Terapia Comportamental Dialética (DBT).
A este respeito, o Professor Lars Mehlum deu uma entrevista à Visão esta 5ª feira a qual seria vantajoso que lesse.
Como disse, eu não a conheço pessoalmente, mas já ando aqui há algum tempo. Por exemplo, no post 2014: ANO EUROPEU DO CÉREBRO E DAS DOENÇAS MENTAIS – A DEPRESSÃO por clara castilho, apresenta o conteúdo constante no Portal da Saúde sobre Depressão. No Portal da Saúde a autoria não é explicitada. Mas sendo profissional de saúde mental, é grave que refira o apoio do Parlamento Europeu a esta causa e não saiba que a European Alliance Against Depression (EAAD) está referenciada pela Comissão Europeia e pela Organização Mundial de Saúde como uma organização com práticas de excelência na área da prevenção de depressão e suicídio. Preto no branco em documentos oficiais. Porque não procura? Bem como o prémio de saúde publica mais importante que existe, o Gastein.
Pôr em causa esta instituição, o EAAD, não a deixa senão mal. Como acho curioso que não faça referência nenhuma ao nosso site http://www.ifightdepression.com/pt. Também lhe escapou? Ou você é daquelas pessoas que julgam que a única coisa válida que existe é o que conhecem? E desde há décadas? Ah, os ícones que nos dão segurança…
É pouco sério da sua parte ridicularizar uma forma de deteção e sensibilização para a depressão como o preenchimento de instrumentos de auto-avaliação como seja o Patient Health Questionnaire de 9 itens, talvez o mais validado internacionalmente, e também para a língua portuguesa. Que literacia em saúde mental e/ou cientifica é a sua? Científica será escassa, digo eu.
Antes de saltar em frente e precipitar-se no vazio informativo, aconselho todas as pessoas de bem a fazerem o trabalho de casa. Há sempre muito a aprender. Há um motor de busca que se chama Google com imensos recursos como o citations e uma rede social de investigadores que se chama researchgate.
E, já que se revela tão perplexa com o uso de novas tecnologias e intervenções psicoterapêuticas de baixa intensidade validadas cientificamente na área da saúde mental nos cuidados de saúde primários, contexto em que basicamente não há cuidados de saúde mental organizados dignos desse nome, o que deixa milhares de concidadãos sem acesso a cuidados, o que não parece ser uma prioridade nas suas preocupações, saiba que, apesar dos equívocos gerados pelas notícias, ainda terá muito com que se surpreender no futuro.
De facto, é verdade que em 90% das pessoas afetadas por depressão e que recorrem aos cuidados de saúde primários, por esse ou outro motivo, a depressão é ligeira a moderada. Medicamentos e/ou intervenções psicoterapêuticas, de alta ou baixa intensidade, funcionam. E curiosamente, nenhuma das intervenções dispensa a intervenção de profissionais!
E nos cuidados de saúde primários, concordo com a contratação de psicólogos. E de enfermeiros. E de médicos. Desde que tenham o currículo adequado.
Finalmente, há muitas formas de estigma em relação à saúde mental. A que tem origem nos profissionais de saúde mental é das mais graves.
Melhores cumprimentos
Ricardo Gusmão (a título pessoal)
PS: já não sou docente na FCM/UNL. Por iconoclastia. Um conceito que lhe será estranho, concerteza.
Somos um blogue onde cada um exprime a sua opinião livremente, onde não há opiniões definitivas e onde ninguém manda calar ninguém. Neste caso, estamos perante duas opiniões diferentes, sobre um mesmo tema. As pessoas interessadas poderão fazer as leituras complementares que são sugeridas e podem emitir o seu juízo. Poderão, ainda, haver outras opiniões e serão acolhidas e tomadas em consideração. Lembramos que, pôr em causa ideias, princípios, posições, é normal. O que não aceitamos é que se ponha em causa a honorabilidade de quem não pensa do mesmo modo. Ricardo Gusmão, ao usar expressões como «é pouco sério da sua parte», ultrapassa os limites que fixamos e deve evitar esse tipo de resposta, sob pena de suprimirmos futuros comentários. Esta é a posição da equipa coordenadora.
Lamento, mas o relativismo moral e opinativo não faz parte senão do meu cardápio social.
Na vida não exclusivamente social, e em particular, no mundo científico, é certo que é saudável existirem opiniões diversas, mas dentro do que é VERDADE consensual. Quando não é a verdade que está em causa, e se eleva despudoradamente a ignorância pela dissimulação em opinião, é de ofensa à honorabilidade que se trata, ainda que de forma aparentemente correcta.
A senhora não foi pouco séria. Não expressei o que penso por educação.
Portanto, concordo convosco. E não concordo convosco. Alea jacta est.
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Conheço bem o professor Ricardo Gusmão que não passa de um pobre coitado que faz de tudo para ainda tentar brilhar … acaba por cair num ridículo do qual não tem retorno uma vez que o seu narcisismo patológico cavou a sua própria sepultura. O que exibe em palavreado pseudo intelectual e oco é acompanhado de uma falta de deontologia, irresponsabilidade e falta de respeito pelos doentes e pares que não o torna digno da profissão que exerce. Em suma… coitado
Conheço bem o professor Ricardo Gusmão que não passa de um pobre coitado que faz de tudo para ainda tentar brilhar … acaba por cair num ridículo do qual não tem retorno uma vez que o seu narcisismo patológico cavou a sua própria sepultura. O que exibe em palavreado pseudo intelectual e oco é acompanhado de uma falta de deontologia, irresponsabilidade e falta de respeito pelos doentes e pares que não o torna digno da profissão que exerce. Em suma… coitado
Cara Clara Castilho,
Que fique claro desde já que não a conheço mas sei quem é porque me dei ao trabalho de pesquisar.
Obviamente, houve um claro equívoco disseminado por alguma comunicação social e do qual várias pessoas putativamente responsáveis acharam por bem fazer eco sem irem à fonte.
A palavra “psicoterapia” tem duas leituras, uma estrita e outra mais lata. Lamento muito, mas tem. Há intervenções psicoterapêuticas de elevada intensidade, a típica “psicoterapia” de frequência semanal e duração de 40-50 minutos, com inspiração basicamente em dois modelos, o psicodinâmico e o cognitivo-comportamental. E depois há intervenções psicoterapêuticas de baixa-intensidade e dentro destas o modelo cognitivo-comportamental é mais frequente (por motivos óbvios diria eu). Já agora, a minha formação de base é psicodinâmica.
Desde o dia 27 de maio que o site da EUTIMIA é público (www.eutimia.pt) e talvez se lá for possa desfazer alguns equívocos e informar-se melhor. Por exemplo, poderia questionar-se porque nos foi atribuído o Estatuto de Utilidade Publica. E porque ganhámos 2 projetos em 9 de saúde mental das EEA Grants.
No mesmo dia em que a Clara Castilho publicava o post acima, e no dia a seguir ao comunicado da Ordem dos Psicólogos, tivemos o prazer de introduzir em Portugal uma das duas intervenções psicoterapêuticas de alta intensidade validadas cientificamente para a abordagem de quadros clínicos complexos em setting especializado, como sejam a perturbação borderline, os estados mistos e os comportamentos autoagressivos recorrentes, ou seja, a Terapia Comportamental Dialética (DBT).
A este respeito, o Professor Lars Mehlum deu uma entrevista à Visão esta 5ª feira a qual seria vantajoso que lesse.
Como disse, eu não a conheço pessoalmente, mas já ando aqui há algum tempo. Por exemplo, no post 2014: ANO EUROPEU DO CÉREBRO E DAS DOENÇAS MENTAIS – A DEPRESSÃO por clara castilho, apresenta o conteúdo constante no Portal da Saúde sobre Depressão. No Portal da Saúde a autoria não é explicitada. Mas sendo profissional de saúde mental, é grave que refira o apoio do Parlamento Europeu a esta causa e não saiba que a European Alliance Against Depression (EAAD) está referenciada pela Comissão Europeia e pela Organização Mundial de Saúde como uma organização com práticas de excelência na área da prevenção de depressão e suicídio. Preto no branco em documentos oficiais. Porque não procura? Bem como o prémio de saúde publica mais importante que existe, o Gastein.
Pôr em causa esta instituição, o EAAD, não a deixa senão mal. Como acho curioso que não faça referência nenhuma ao nosso site http://www.ifightdepression.com/pt. Também lhe escapou? Ou você é daquelas pessoas que julgam que a única coisa válida que existe é o que conhecem? E desde há décadas? Ah, os ícones que nos dão segurança…
É pouco sério da sua parte ridicularizar uma forma de deteção e sensibilização para a depressão como o preenchimento de instrumentos de auto-avaliação como seja o Patient Health Questionnaire de 9 itens, talvez o mais validado internacionalmente, e também para a língua portuguesa. Que literacia em saúde mental e/ou cientifica é a sua? Científica será escassa, digo eu.
Antes de saltar em frente e precipitar-se no vazio informativo, aconselho todas as pessoas de bem a fazerem o trabalho de casa. Há sempre muito a aprender. Há um motor de busca que se chama Google com imensos recursos como o citations e uma rede social de investigadores que se chama researchgate.
E, já que se revela tão perplexa com o uso de novas tecnologias e intervenções psicoterapêuticas de baixa intensidade validadas cientificamente na área da saúde mental nos cuidados de saúde primários, contexto em que basicamente não há cuidados de saúde mental organizados dignos desse nome, o que deixa milhares de concidadãos sem acesso a cuidados, o que não parece ser uma prioridade nas suas preocupações, saiba que, apesar dos equívocos gerados pelas notícias, ainda terá muito com que se surpreender no futuro.
De facto, é verdade que em 90% das pessoas afetadas por depressão e que recorrem aos cuidados de saúde primários, por esse ou outro motivo, a depressão é ligeira a moderada. Medicamentos e/ou intervenções psicoterapêuticas, de alta ou baixa intensidade, funcionam. E curiosamente, nenhuma das intervenções dispensa a intervenção de profissionais!
E nos cuidados de saúde primários, concordo com a contratação de psicólogos. E de enfermeiros. E de médicos. Desde que tenham o currículo adequado.
Finalmente, há muitas formas de estigma em relação à saúde mental. A que tem origem nos profissionais de saúde mental é das mais graves.
Melhores cumprimentos
Ricardo Gusmão (a título pessoal)
PS: já não sou docente na FCM/UNL. Por iconoclastia. Um conceito que lhe será estranho, concerteza.
Somos um blogue onde cada um exprime a sua opinião livremente, onde não há opiniões definitivas e onde ninguém manda calar ninguém. Neste caso, estamos perante duas opiniões diferentes, sobre um mesmo tema. As pessoas interessadas poderão fazer as leituras complementares que são sugeridas e podem emitir o seu juízo. Poderão, ainda, haver outras opiniões e serão acolhidas e tomadas em consideração. Lembramos que, pôr em causa ideias, princípios, posições, é normal. O que não aceitamos é que se ponha em causa a honorabilidade de quem não pensa do mesmo modo. Ricardo Gusmão, ao usar expressões como «é pouco sério da sua parte», ultrapassa os limites que fixamos e deve evitar esse tipo de resposta, sob pena de suprimirmos futuros comentários. Esta é a posição da equipa coordenadora.
Lamento, mas o relativismo moral e opinativo não faz parte senão do meu cardápio social.
Na vida não exclusivamente social, e em particular, no mundo científico, é certo que é saudável existirem opiniões diversas, mas dentro do que é VERDADE consensual. Quando não é a verdade que está em causa, e se eleva despudoradamente a ignorância pela dissimulação em opinião, é de ofensa à honorabilidade que se trata, ainda que de forma aparentemente correcta.
A senhora não foi pouco séria. Não expressei o que penso por educação.
Portanto, concordo convosco. E não concordo convosco. Alea jacta est.
Conheço bem o professor Ricardo Gusmão que não passa de um pobre coitado que faz de tudo para ainda tentar brilhar … acaba por cair num ridículo do qual não tem retorno uma vez que o seu narcisismo patológico cavou a sua própria sepultura. O que exibe em palavreado pseudo intelectual e oco é acompanhado de uma falta de deontologia, irresponsabilidade e falta de respeito pelos doentes e pares que não o torna digno da profissão que exerce. Em suma… coitado
Conheço bem o professor Ricardo Gusmão que não passa de um pobre coitado que faz de tudo para ainda tentar brilhar … acaba por cair num ridículo do qual não tem retorno uma vez que o seu narcisismo patológico cavou a sua própria sepultura. O que exibe em palavreado pseudo intelectual e oco é acompanhado de uma falta de deontologia, irresponsabilidade e falta de respeito pelos doentes e pares que não o torna digno da profissão que exerce. Em suma… coitado