APRESENTAÇÃO DO LIVRO “ARTE E COMUNIDADE”, DIA 5 DE JUNHO ÀS 18h NA FUNDAÇÃO GULBENKIAN

 

Teatro nas favelas do Rio de Janeiro, ou nos territórios ocupados da Palestina onde o processo de fazer teatro é encarado como um ato de resistência cultural, mas também os trabalhos da coreógrafa Madalena Victorino ou o realizado pela PELE (estrutura artística do Porto criada em 2007) em contextos específicos, como o prisional, ou os bairros sociais do Porto e um grupo de teatro com participantes surdos, são alguns dos projectos focados neste livro. Nele também se apresenta um capítulo dedicado ao Teatro do Oprimido e uma abordagem aprofundada sobre a experiência da Orquestra Geração em Portugal, baseada no método El Sistema de Simón Bolívar da Venezuela e que perspectiva a música como meio de capacitação intelectual e social das crianças.

unnamed

Com cerca de 550 páginas e prefácios assinados por António Pinto Ribeiro e João Brites, a selecção dos autores e projectos neste livro procura “espelhar práticas artísticas comunitárias com maior expressão quantitativa e qualitativa e que se traduzem numa maior força, neste momento, a nível mundial.” O livro tenta assim colmatar uma lacuna grande de compilação e comparação de experiências diversas, que não se encontram registadas, organizadas e acessíveis ao público em geral. “É, neste sentido, uma obra inovadora e que segue os princípios comunitários de partilha e acesso ao conhecimento”, diz Hugo Cruz, seu coordenador.

Hugo Cruz sublinha que Portugal tem seguido uma tendência europeia que passou a definir o envolvimento da comunidade como um aspecto central na criação artística, por meio das directivas dos programas de financiamento disponíveis na área da cultura. “Esta tendência não acontece por acaso e espelha os tempos de crise que vivemos na Europa, que procura outras formas de organização. É uma orientação muito interessante e promissora, no sentido de uma visão integrada e holística de cultura, desde que não se procure atribuir à cultura funções que são iminentemente da educação e do social e que reflectem o desinvestimento nestas áreas”, ressalva Hugo Cruz. “É inegável a força que este tipo de trabalho tem ganho em Portugal nos últimos anos”, observa.

O livro,  edição da Fundação Calouste Gulbenkian com a Direcção-Geral das Artes e a PELE, estará à venda na livraria da Fundação a partir desta sexta-feira. A 5 de junho, na apresentação pública da obra estarão presentes Jorge Barreto Xavier, Secretário de Estado da Cultura, Isabel Mota, administradora da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vieira Nery, musicólogo e diretor do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas, e o coordenador do livro, Hugo Cruz, cofundador e director artístico da PELE.

Leave a Reply