HÉLIA CORREIA RECEBE PRÉMIO DE CONTO CAMILO CASTELO BRANCO

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Foi com a obra Vinte Degraus e Outros Contos que Hélia Correia venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.

O Grande Prémio de Conto “Camilo Castelo Branco”, instituído, em 1991, pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) e patrocinado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão (C. M. Vila Nova de Famalicão), destina-se a galardoar anualmente uma obra em português, de autor português ou de país africano de expressão portuguesa.

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A Fundação José Saramago, em Lisboa, é o palco escolhido para a entrega deste Prémio. A cerimónia decorre no próximo dia 15 de Junho, pelas 18h30, num ambiente de grande simbolismo, tendo em conta que Saramago era um admirador confesso de Camilo. Aliás, quando José Saramago venceu o Prémio Nobel da Literatura, visitou a Casa de São Miguel de Seide, a 28 de Fevereiro de 1999, e escreveu no livro de honra da Casa de Camilo o seguinte: “Na casa onde Camilo saiu da vida para entrar na eternidade do génio, venho trazer rosas. Venho também trazer o prémio que me deram, o seu valor simbólico, que Camilo merece, como provavelmente nenhum outro escritor português. Eu, aprendiz, deixo rosas ao mestre.” Será imbuída deste espírito de génios que Hélia Correia será galardoada com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2014 pela sua obra “Vinte Degraus e Outros Contos”, da editora Relógio D’Água.

“Camilo é uma figura tutelar na minha vida. Desde muito cedo que me habituei a vê-lo como um familiar, porque falava-se muito de Camilo lá em casa e ainda antes de conhecer a sua obra já o conhecia. Por isso, representa muito para mim estar associada a Camilo Castelo Branco e receber um prémio com o seu nome”, afirma a escritora.

O prémio promovido pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) foi decidido pela unanimidade do júri que integrou nomes como José Ribeiro Ferreira, Clara Rocha e Sara Reis da Silva. A concurso estiveram ao todo 47 obras.

Camilo Castelo Branco é, de resto, um escritor de referência para Hélia Correia. “Camilo não está sentado comigo quando escrevo, no entanto, neste livro de contos decidi dar um final diferente à Mariana do Amor de Perdição, porque achei que ela merecia outra oportunidade, outra vida”, refere a escritora sublinhando que as memórias camilianas fazem parte da sua vida. “Já fiz muitas viagens, mas recordo-me perfeitamente da visita que fiz à Casa de Camilo há já muitos anos, porque foi uma visita marcante. Recordo-me de pormenores como a cadeira esburacada ou a roupa de Ana Plácido, os óculos de Camilo e principalmente da Acácia de Jorge como um ser vivo que permanece e tem tanta tragédia agarrada a ela”.

Para José Manuel Mendes, presidente da APE, Hélia Correia é “uma das mais prestigiadas escritoras portuguesas”. “É uma narradora de excepção, uma personalidade fulgurante que consegue com uma peculiar imaginação e um poder encantatório de construção de histórias, atmosferas e personagens escrever num português perfeito, exímio de grande qualidade, feito de rigor, num trabalho criativo invulgar.”

Também o presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha, elogia a escritora salientando “a boa e frutuosa relação”que a autarquia mantém com a APE. “No próximo ano completamos 25 anos do Prémio de Conto Camilo Castelo Branco”, adianta o autarca referindo que a longevidade do prémio “é uma prova do seu prestigio, assim como o facto de, todos os anos, existirem tantas as obras de qualidade concorrentes”.

Neste sentido, Paulo Cunha assegura que “esta é uma iniciativa para manter, cumprindo uma etapa importante na valorização do legado e da memória camiliana.”

De acordo com a ata do júri “os onze contos centram-se, de modo geral, em figuras femininas, nem sempre ou quase nunca observadas por uma perspectiva positiva, ora instintivas e animalescas ora aleijadas e grotescas. São mulheres sem sonhos sem voos e sem azul, mulheres condenadas ao proveito da vida a arrastar-se na terra. Estes contos apresentam em muitos casos final aberto, deixando que a dúvida ou incerteza se prolongue e que o leitor labore o seu desfecho como se estivesse a meio de um caminho, cujo destino permanece desconhecido. Hélia Correia exibe em 20 degraus e outros contos o perfeito domínio da língua portuguesa, como aliás já nos habituou”.

Hélia Correia estreou-se na poesia com a edição de O Separar das Águas, em 1981, e O Número dos Vivos, em 1982. A Casa Eterna (Prémio Máxima de Literatura, 2000), Lillias Fraser (Prémio de Ficção do Pen Club, 2001, e Prémio D. Dinis, 2002), Bastardia (Prémio Máxima de Literatura, 2006) e Adoecer (Prémio da Fundação Inês de Castro, 2010) são alguns títulos da sua vasta bibliografia.

A escritora é o 23.º nome premiado com este galardão, depois de Pires Cabral, Mário de Carvalho, Maria Isabel Barreno, Luísa Costa Gomes, José Eduardo Agualusa, Afonso Cruz entre muitos outros.

Refira-se que instituído a 1 de Junho de 1991, ao abrigo de um protocolo entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e a Associação Portuguesa de Escritores, o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco destina-se a galardoar, anualmente, uma obra em língua portuguesa de um autor português ou de um país africano de expressão portuguesa, com um prémio de 7 500 euros.

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