EDITORIAL – SCHÄUBLE TROCA A GRÉCIA POR PORTO RICO

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Parece que o governo grego já enviou o seu documento ao eurogrupo, e assim aguarda-se o veredicto final, que deverá ser dado no domingo. Agora, desde Obama e do economista Thomas Piketty até ao polaco Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, e Madame Lagarde, a patroa do FMI, andam uma data de personalidades à volta de Merkel e Schäuble para que aceitem a reestruturação da dívida da Grécia. Estes fazem cara grossa, e dizem que de cortes nem falar. Entretanto, o ilustre ministro das finanças alemão, terror das Europas, diz que não se importa de trocar a Grécia por Porto Rico, que está na área do dólar (ver primeiro link abaixo), e também ameaça bancarrota, mas o seu território é um terço do grego, e a população e a dívida também são muito menores. Uns dizem que Schäuble quis ser engraçado, e riem-se, outros acham que ele não tem graça nenhuma, e que assim dificulta ainda mais as negociações. Nós também opinamos: ele está a querer convencer-nos de que a Alemanha já é tão influente quanto os Estados Unidos, mesmo sem a bomba atómica e a guerra das estrelas.

Timothy Garton Ash escreveu no Guardian um artigo bastante interessante, que podem ler no segundo link abaixo,  cujo título, traduzido para português, será Com 28 versões da Europa não será de estranhar que não nos compreendamos uns aos outros. Assinala que a democracia só funciona ao nível nacional, não ao nível europeu, e que o nacionalismo está a aumentar por todo o lado, e que cada vez há menos espírito europeu, se é que alguma vez o houve. Responsabiliza pela situação os líderes da França e da Itália do fim da década de 1980, Mitterand e Andreotti, que impuseram a Khol a moeda única, em troca do apoio à reunificação alemã, e não se preocuparam com a integração política. Pode ser que Ash tenha alguma razão, mas não será exagerado perguntar: que faziam entretanto Margaret Thatcher e John Major, que foram primeiros-ministros do Reino Unido por aquela época? Foi por não quiseram ficar na zona euro? Não é que adiantasse muito mas talvez compreendêssemos um pouco melhor…

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=4671711&seccao=Dinheiro%20Vivo

http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/jul/09/28-versions-europe-eurozone-grexit

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