EDITORIAL – Pedro, o desbloqueador

logo editorialDevo dizer até que, curiosamente, a solução que acabou por desbloquear o último problema em aberto – que era justamente a solução quanto à utilização do fundo – partiu de uma ideia que eu próprio sugeri. Até tivemos por acaso uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema.

Naturalmente que esta frase  de Pedro Passos Coelho sobre a solução para o problema grego, dita por outra pessoa intelectualmente mais credível talvez até passasse despercebida. Mas na boca de um indivíduo que se tem distinguido por uma pesporrência oca, soa de forma ridícula, um pouco como o velho «boneco» que Herman José interpretava . «Eu é que sou o preeeesidente!»

A frase dita pelo chefe do executivo português numa conferência de imprensa destinada a fazer um balanço do acordo europeu com a Grécia,» tem sido explorada por redes sociais e por blogues já foi adotada pelas redes sociais.  «Por acaso a ideia foi minha» ameaça transformar-se em frase cómica, em modismo que ouviremos a cada momento, a propósito e a despropósito. O facto de um primeiro-ministro ter uma ideia não devia ser motivo de chacota – como se o Emplastro afirmasse ser o autor da Teoria da Relatividade. Será que esta equipa de incompetentes vaidosos e vazios de ideias, será capaz de extrair ilações desta onda de hilaridade que Passos Coelho desencadeou ao afirmar ter tido uma ideia.

«Por acaso» é uma nota de modéstia que ~repõe tudo no lugar. Por acaso, Passos Coelho teve uma ideia. Não voltará a acontecer.

1 Comment

  1. Não é por acaso, nem é ideia. Está incluído no “chip” neo-liberal que estes autómatos levam metido na cachimónia. Citando Pedro Tadeu, do “DN”, o Estado grego terá, segundo o “acordo”, de reforçar a banca e transferir 50 mil milhões de euros em activos para um fundo controlado pela “troika”, dos quais 12,5 mil milhões irão abater a dívida, igual quantia será usada em investimentos – não decididos pelo governo grego – e 25 mil milhões irão parar à banca, sendo esta a “ganda ideia” de que o leporídeo se gaba. Como refere Ângelo Alves, do PCP, embora a “proposta” leporídea esteja “longe de ser a que fechou o acordo”, “não surpreende que aquilo de que o PM se vangloria seja de garantir que os interesses dos capitais financeiros sejam salvaguardados”. Portanto, trata-se apenas de reproduzir o “software” de lacaio, que estas criaturas já trazem incluído, condição indispensável para os seus partidos lhes darem corda para “actuarem”.

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