EDITORIAL – Democracia representativa? De quem?

logo editorialA democracia representativa tem destas coisas – os candidatos fazem a sua campanha com base em promessas ao eleitorado e os eleitores, postos em presença de diversos catálogos de intenções, escolhem as promessas que mais lhes agradam. Os candidatos agudos e argutos a denunciar as mentiras dos adversários, não têm quaisquer escrúpulos em contrapor à aldrabice dos outros a sua despudorada trafulhice.

Eleito o parlamento, os deputados colhem da direcção do seu partido a orientação que dita a aprovação de medidas e o estabelecimento de políticas – ou seja as promessas feitas durante a campanha não constituem qualquer preocupação para os deputados. Para consolidar maiorias absolutas, os partidos podem mesmo estabelecer alianças com outros partidos e com os seus aliados definir a linha política a seguir. A democracia representativa tem destas coisas. O que se promete durante a campanha não vincula, não constitui compromisso. É uma aberração, mas ninguém estranha – «é o jogo democrático», diz-se. A democracia representativa  coloca na ribalta políticos que obtiveram votações medíocres. Mas Paulo Portas, histriónico, mentiroso, com arrebiques de mau actor, não se coíbe de afirmar o seu «mandato do eleitorado». Mandato?

E é a este «jogo democrático», a este sistema em que ganha quem for mais convincente a mentir, que chamamos democracia. Democracia representativa. Representativa de quem? Dos interesses da clique financeira? Que esta farsa seja defendida pelos partidos ligados a esses interesses, compreende-se. Que partidos ditos de esquerda, legitimem esta má comédia de saltimbancos vigaristas, já se torna mais difícil de compreender. A democracia representativa tem destas coisas – nem tudo é para se compreender.

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