JORDI SAVALL É O VENCEDOR DO PRÉMIO EUROPEU HELENA VAZ DA SILVA 2015

Do site do Centro Nacional de Cultural, retiramos a seguinte informação:

“Jordi Savall, conceituado músico e maestro catalão, é o vencedor da edição deste ano do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural.

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O Prémio homenageia este excecional artista e humanista pelo seu contributo para a celebração da história multicultural da Europa, através do seu rico património musical. O júri distinguiu ainda com Menções Especiais o jornalista de rádio e televisão dinamarquês Adrian Lloyd Hughes e o jornalista cultural espanhol Rafael Fraguas. A cerimónia de atribuição do Prémio terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no dia 12 de outubro de 2015.

O Prémio, instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património que o CNC representa em Portugal, e com o Clube Português de Imprensa, distingue contribuições excecionais para a proteção e divulgação do património cultural e dos ideais europeus. Conta com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Reagindo à notícia, o Maestro Jordi Savall disse: “Sinto-me muito honrado e agradecido. É certamente um reconhecimento importante do nosso trabalho na Fundação Centro Internacional de Música Antiga e da atividade que tenho levado a cabo durante toda a minha carreira, dedicada à recuperação e divulgação do património musical do renascimento e do barroco espanhol e europeu, assim como do meu empenho pessoal no diálogo intercultural entre Oriente e Ocidente e a ligação de culturas diversas através da música.”

“É com grande alegria que recebo esta distinção, em particular por que é atribuída por um grupo de entidades tão prestigiosas que valorizam e se dedicam ao património cultural e à promoção dos ideais europeus. É extremamente encorajador receber este apoio, sobretudo nesses momentos tão difíceis para os que como nós se esforçam para que a música, a beleza e a cultura possam chegar a um cada vez maior número de pessoas e de países e sejam acessíveis a todos os níveis sociais, sem exceção”.

“Como artista e também como Presidente da Europa Nostra, tenho grande admiração por Jordi Savall. Temos muito em comum: acreditamos no poder da música para iluminar e encantar os espíritos e os corações das pessoas e para unir os seres humanos para além das barreiras físicas e mentais. O fabuloso património musical da Europa é resultado de muitos séculos de encontros humanos e artísticos. É por isso fundamental promover a consciência deste importante legado que está na essência do que é a Europa. Hoje, mais do que nunca, precisamos de unir as vozes que – como a de Jordi Savall – promovem a paz e o diálogo através da celebração do nosso património cultural comum”, afirmou o Maestro Plácido Domingo, Presidente da Europa Nostra.

“Através dos seus concertos, gravações e ensinamentos, Jordi Savall tem dado um excecional contributo para a redescoberta e fruição do nosso património comum, através da exemplar interpretação e divulgação de um vasto reportório musical europeu e das suas ligações com outras culturas do mundo. A profunda dimensão intercultural do seu trabalho, que sublinha os laços entre as culturas e tradições judaica, cristã e muçulmana, e também a riqueza da sua diversidade, contribui para um melhor entendimento e respeito mútuo destas culturas e comunidades. Utilizando a música como inspiradora “língua franca” entre os europeus, no passado e nos dias de hoje, Savall tem contribuído para uma cultura de paz e de diálogo, que tem de fazer parte da tão necessária Nova Narrativa para a Europa”, disseGuilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Júri.

Com mais de 50 anos de carreira, Jordi Savall tornou-se o principal divulgador da música antiga a nível mundial. Gravou mais de 230 álbuns, abrangendo reportórios do período medieval, renascentista, barroco e clássico, com especial destaque para a música hispânica e mediterrânica. Com a famosa mezzo-soprano Monserrat Figueras, a sua mulher falecida em 2011, estabeleceu a Fundação Centro Internacional de Música Antiga, que integra diversos conjuntos: o instrumental Hespérion XX (1974), o vocal La Capella Reial de Catalunya (1987) e a orquestra Concerto das Nações, de música barroca tocada com instrumentos originais (1989).

Jordi Savall tem inspirado um movimento mundial de música antiga, que reúne não só músicos mas também apreciadores deste género musical. É também o fundador do famoso festival de verão da Abadia de Fontfroide, cuja 11ª edição tem lugar este ano entre 15 e 19 de julho. Em 2008, Jordi Savall foi designado Embaixador para o Diálogo Intercultural da União Europeia e, em 2009, com Montserrat Figueras, foi nomeado Artista para a Paz da UNESCO.

“Através de um grande número de atividades, que vão desde a participação e organização de concertos e festivais, passando pela investigação e gravação bem como pelo ensino de novas gerações de músicos, Jordi Savall é incansável na sua missão de levar a música às pessoas e as pessoas à música. Além de ser um músico excecional, Savall é igualmente um grande comunicador na apresentação dos seus concertos e um inspirado autor dos catálogos multilingues que acompanham os seus CDs”, acrescentou o presidente do Júri, Guilherme d’Oliveira Martins.

O Júri do Prémio – constituído por Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura, João David Nunes, Membro da Direção do Clube Português de Imprensa, Eduardo Marçal Grilo, Membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, Francisco Pinto Balsemão, CEO Grupo Impresa, Irina Subotic e Piet Jaspaert, Vice-Presidentes da Europa Nostra, José-María Ballester, Membro do Conselho da Europa Nostra, , e Marianne Ytterdal, Membro da Direção da Europa Nostra – decidiu distinguir igualmente outros dois cidadãos europeus.

Uma das duas Menções Especiais do Júri foi atribuída ao jornalista de rádio e televisão Adrian Lloyd Hughes pela sua notável contribuição para a divulgação da arte europeia e respetiva influência no património cultural dinamarquês. Nos últimos 30 anos, trabalhou para os principais canais públicos de televisão e rádio e tornou-se uma figura pública proeminente, assumindo o papel de guia cultural do grande público na Dinamarca. Os seus programas de rádio e televisão cobrem uma grande diversidade de temas culturais e atingem grande audiência.

“Adrian Lloyd Hughes tem a capacidade de tornar os temas culturais acessíveis ao grande público, conduzindo-o numa interessante viagem através da Arte e do Património. Ele estimula e ilumina os seus ouvintes e espectadores com a extraordinária capacidade que tem para comunicar o significado e a relevância da Arte e do Património na sociedade de hoje”, comentou o júri.

O jornalista espanhol Rafael Fraguas recebeu também uma Menção Especial do júri pelos muitos anos dedicados a promover os valores do património cultural e natural através dos media, sobretudo dos seus artigos no jornal diário El País. Chama sobretudo a atenção para o património ameaçado, encorajando a sua salvaguarda.

“Durante a sua distinta carreira de jornalista, Rafael Fraguas conseguiu o equilíbrio entre o imediatismo do relato noticioso e a dimensão histórica e o significado a longo prazo do nosso legado cultural. Através da sua comunicação dinâmica e empenhada, tem grande influência nos seus leitores e contribui para uma renovada consciência do povo espanhol do valor do seu património e da necessidade de o proteger e preservar como parte da identidade cultural europeia”, disse o Júri.

Este Prémio Europeu, que tem o nome de Helena Vaz da Silva (1939-2002), recorda a jornalista portuguesa, escritora, ativista cultural e política, e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. É atribuído anualmente a um cidadão europeu cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão. O prestigiado escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado deste Prémio Europeu, em 2013; o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk recebeu este Prémio em 2014.

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