Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
(conclusão)
As escolhas: fazer saltar ou não fazer saltar?
Face aos detentores da arma de dissuasão, os empresários políticos gregos, há por conseguinte desminadores que não são nada independentes porque de facto são vassalos dos empresários políticos alemães. No entanto, não têm os mesmos interesses.
A explosão suave, que se chama “Grexit” é o cenário mais vantajoso para os credores: o “Grexit” fundamentalmente não coloca em causa nem o mercado político central (o mercado alemão) nem os mercados políticos periféricos. Um desmoronamento da Grécia serve mesmo de exemplo: somente a disciplina é praticável. Agora, uma utilização “hábil” “da independência” do BCE, nomeadamente a técnica do garrote, permitiria aos empresários políticos alemães escapar à qualquer forma de responsabilização do desmoronamento grego. Em contrapartida, este cenário não é provavelmente o mais vantajosa para a Grécia. É mesmo francamente mau, se este se verifica sem se passar a transformar fundamentalmente o sistema financeiro grego.
A explosão violenta é muito mais complexa quanto às consequências.
Primeiro, seria logicamente a escolha dos que não têm mais nada a perder: os Gregos e os seus empresários políticos que deveriam logicamente rebentar com o Eurosistema infligindo um máximo de estragos que for possível: incumprimento generalizado com represálias sobre as exigências dos credores privados não eliminados pelo lex monetae, avalancha dos saldos TARGET sobre os bancos centrais etc. Nos limites, a política da terra queimada pode seguir-se com todas as suas consequências geopolíticas.
Simultaneamente este tipo de explosão torna-se um risco essencial para a maior parte dos vassalos que veria, primeiro os mercados financeiros, depois os mercados políticos virarem-se contra eles. Os empresários políticos do Sul da zona pagariam sem dúvida caro a escolha da sua vassalidade.
Tratando-se dos empresários políticos alemães as coisas são mais comedidas e haveria que comparar o custo moral e psicológico da terceira catástrofe europeia ou mesmo planetária de que a Alemanha seria responsável e o balanço custo/vantagem do restabelecimento do Marco.
A desminagem completa seria a priori o cenário mais favorável. Completo e duradouro, é no entanto estritamente irrealista considera-lo possível uma vez que não existe espaço de negociação possível entre o suserano e o vassalo que se tornou renegado [7]. Não existe nenhum interesse comum entre os actuais empresários políticos gregos e os alemães e é por essa razão que as negociações podem ser a antecipação de uma verdadeira guerra.
É também a razão pela qual único a desminagem parcial não é possível, a qual consiste geralmente em procurar ganhar tempo.
O regresso do empresariato político sobre o teatro europeu é um real progresso, tanto as reuniões e decisões tecnocráticas escondiam mal os conflitos de interesses privados entre os oligarcas somente preocupads com as suas carreiras no seio de organizações oligárquicas como o FMI ou o BCE. O progresso é contudo modesto, o suserano só se interessa pelos seus próprios eleitores inebriados pela sua religião ordoliberal, e vassalo renegado a falar agora solidariedade europeia para esconder melhor os interesses dos seus próprios eleitores apenas.
Como construir a ficção de um interesse geral europeu depois de ter constatado, com a forte ascensão do individualismo radical, a de um interesse geral nacional?
Do blog La crise des années 2010, Les démineurs autour de la bombe atomique grecque. Texto disponível em :
http://www.lacrisedesannees2010.com/2015/07/les-demineurs-autour-de-la-bombe-atomique-grecque.html
[7] É uma das conclusões do nosso artigo de Março passado : http://www.lacrisedesannees2010.com/2015/03/l-allemagne-peut-remercier-la-grece.html
Os desminadores em volta da bomba atómica grega – por Jean-Claude Werrebrouck I

