CARTA DE LISBOA – Contra o otomano – por Pedro Godinho

lisboa

 

A tentação imperial nunca desaparece, espera por uma nova oportunidade.

Repetindo erros que pensam que só é revolucionária a acção armada e que os fins justificam mesmo as acções terroristas – indiscriminadamente tomando todos como alvos legítimos ou simples danos colaterais, desumanizando pessoas e política – membros dum grupo armado do PKK executaram dois polícias turcos.

Tratar-se-ia duma retaliação pelo abandono e ausência de protecção das autoridades turcas aos curdos que teria permitido o assassinato de jovens voluntários curdos que iam participar na reconstrução duma aldeia síria curda que os fundamentalistas do chamado Estado Islâmico tinham ocupado e arrasado.

As autoridades turcas, em especial os serviços militares e de informação, são acusadas de conivência passiva e até simpatia para com o Estado Islâmico – talvez mesmo alguma afinidade – vistos como aliados úteis contra aqueles que podem pôr em causa a afirmação da Turquia como potência regional e em particular contra os curdos e a sua aspiração e reivindicação de autogoverno.

E a Turquia cavalgou o erro do grupo do PKK e usou-o como arma contra os curdos.

O acto isolado de membros do PKK não abalou o sistema, auxiliou-o. A luta curda pela cultura e autodeterminação sofreu um revés na sua afirmação e apoio nacional e internacional.

A pretexto do combate ao terrorismo – e igualando o independentismo curdo ao extremismo do Estado Islâmico – desencadeou um conjunto de acções militares que são essencialmente direccionadas contra os curdos. Obtendo o apoio NATO, sob o manto de, finalmente, estar a combater o Estado Islâmico.

E dirigentes do partido turco islâmico no poder aproveitaram, igualmente, para invocar a proibição do partido democrático de povo – de raíz curda. Afinal nada como eliminar a oposição e poder continuar a falar em democracia.

Inteligente é resistir ao fogacho e ser eficaz no combate democrático.

A Turquia otomana não é de fiar.

One comment

  1. Carlos Leça da Veiga

    Não pode esquecer-se que a marinha portuguesa, em 19 de Julho de 1717, foi a grande responsável pela derrota dos otomanos na Primeira Batalha d Cabo de Matapão, um acontecimento importante para deitar por terra as aventuras bélicas dos turcos. Que direito têm estes otomanos de ter um território – uma colónia – na Europa? CLV

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