SINAIS DE FOGO – MEDONHO – por Soares Novais

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1 – Um tipo vê a primeira fila e fica horrorizado. O cenário é medonho. Estão lá o Passos e o Portas. À esquerda deste, a Assunção. E à direita do primeiro está o “petit” Marco António – alvo de investigação pelo Ministério Público e número dois da lista pelo Porto.

Mas a visão terrível não se queda por aqui: também lá estão a Cristas, o Pedro, o Branco, a Maria Luís, o Montenegro, o Telmo e o Magalhães – cuja cara de mauzão, assim a modos de choco mal frito, contrasta claramente com o ar de menino da Foz do José Pedro.

Foi a apresentação do chamado programa da “Maioria” que os juntou. Ali ouviram o irrevogável Portas e o descarado Passos dizerem que agora é que vai ser. Sim, agora, pois, graças a eles, a vidinha vai melhorar para aqueles que estão no desemprego; para aqueles que foram empurrados para fora do país; para aqueles que vagueiam pelas cidades à espera da sopa dos pobres.

Felizmente, apenas subiram ao palanque o primeiro e o segundo da lista de Lisboa. Os líderes, que são terrivelmente bons a usar “andróides”, “ipads”, “iphones” “tablets”, consolas, computadores, a enviar “sms” em que substituem o “q” pelo “k”.

Eles são os líderes do bando e da malta. Eles são os líderes cheiinhos de certezas, pois não fossem eles “sábios” e “cultos” graças à cátedra roubada a taxistas indefesos.

2 – Um estudo da Universidade do Minho revela: 10% dos alunos do secundário nunca leu um livro até ao fim e 14% das famílias dos alunos participantes no inquérito não têm livros em casa.

Leopoldina Viana, responsável pelo estudo agora tornado público, não isenta de culpas a escola e os professores: “Há muitos jovens que lêem bastante, lêem um tipo de literatura que não é muito consagrada do ponto de vista académico e relativamente à qual os professores fazem tábua rasa. Se calhar é preciso que a escola pense nesta leitura e possa integrar este tipo de leitura para seduzir o leitor.”

Tal estudo, confirma aquilo que há muito se sabe: os portugueses não são de ler, as suas casas estão livres de livros e outras há em que os livros apenas funcionam como elemento decorativo.

A malta é mais de “ipads” e de “ifhones”, de “tablets” e de consolas, de festas e festinhas, e alguns gostam de comprar o livrinho de cozinha da Clara da SIC e aqueles armazéns de letras do Zé da RTP. Os outros, os livros a sério, escritos por gente a sério, que se lixem.

Ou seja: os eleitores, a sua maioria, são feitos da mesma massa dos eleitos. Copiam-lhes os gostos e os tiques. Passeiam-se pelos centros comerciais e dependuram o “terço” sobre o “tablier” do carro. Vão à bola a “Alvalade” ao “Dragão” e à “Luz”; exibem as tatuagens e ligam para casa sempre que algum imbecil dá tempo de antena à suas imbecilidades.

São os eleitores esclarecidos que há quatro anos votaram esclarecidamente em tão esclarecidos eleitos. Uns e outros são feitos da mesma massa: servis e finórios.

Servis como Passos é com a patroa Merkl.

E finórios como Portas quando o irrevogável vai às feiras dar beijinhos e abraços aos exigentes e esclarecidos (e)leitores que votam nele.

E isso, amigos, é terrível.

Medonho.

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