NÃO ESTEJA EUROFÓRICO – por THE ECONOMIST

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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Não esteja eurofórico

Os investidores estão a ficar  animados com  a Europa novamente — demasiado animados mesmo

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The Economist, Don’t get europhoric – Investors are becoming excited about Europe again—too excited

11 de Abril de 2015

Não esteja eurofórico!

RETOMA (substantivo): reposição de uma situação  anterior ou ficar melhor que a situação de referência. A zona euro finalmente está a desfrutar  de uma viragem positiva. Os economistas estão a saborear  o prazer a que já não estavam habituados de rever suas previsões de crescimento em alta, ao invés de estarem a revê-las no sentido da baixa. Os inquéritos  sobre a actividade atingiram o ponto mais alto nestes quatro últimos anos e os consumidores da zona euro estão a sentir-se  muito mais confiantes. Os investidores estão animados, também. O dinheiro está a entrar nos mercados bolsistas da região. Em Março, os fundos de investimento em capital registavam enormes entradas de fundos.

Infelizmente, a zona do euro ainda está longe de encontrar a definição de dicionário do que é uma retoma económica. Na verdade, a mudança de posição dos  investidores de melancolia para a euforia  parece já ter ido longe demais.

Para começar com o tema, a retoma da economia  permanece notavelmente fraca.  A zona  euro na verdade tem vindo a crescer desde há  dois anos desde que uma prolongada recessão  em  duplo V  acabou no início de  2013 . Ainda aqui a expansão tem sido tão inconstante que mal mereceria esse  nome. A excitação gerada pelo crescimento de apenas 0,3% no quarto trimestre de 2014, taxa esta que anualizada representa  pouco mais de 1%, conta-nos a  sua própria história quanto à redução de expectativas. A retoma da economia tem sido tão fraca que  o PIB da zona euro no final de  2014 testava  ainda   2% abaixo de seu pico  anterior , na pré-crise, ou seja  no início de 2008. Por outro lado, o PIB na América subiu quase  9%.

Tendo perdido tanto terreno, a zona euro tem claramente uma capacidade  enorme para  o apanhar. Contudo, a sua recente melhoria de aparência  depende de dois motores que poderão  perder a sua potência. O  primeiro é o colapso de preços do petróleo no segundo semestre de 2014, que tem actuado  como um corte nos impostos   para  os  consumidores e empresas. Este   estímulo poderá  desaparecer no final deste ano e começar a inverter a sua trajectória,  se os preços do petróleo começarem novamente a subir.

O segundo motor é a queda no euro, cerca de  12% numa  base comercial ponderada ao longo do ano passado. Muitas empresas europeias aproveitaram bem este segundo motor   ao expandirem as  suas vendas  no  estrangeiras nestes anos mais recentes  (veja o artigo); fá-lo-ão bem com  uma moeda mais fraca. Mas o euro parou a sua  queda (pelo menos pelo momento) e, a longo prazo, o que  mais interessa aos  exportadores é o  crescimento nos seus mercados de exportação. Com a  redução do ritmo na China  e a economia americana a causar preocupações  as perspectivas são ainda  menos favoráveis. Idealmente, a retoma seria   baseada igualmente na forte procura dentro da zona euro – especialmente na Alemanha, que está a ter um enorme saldo na sua balança corrente, um excedente na  ordem de   7% do GDP.

Na verdade,  os investidores  continuarão a tirar proveito do programa generoso do Banco Central Europeu da facilitação quantitativa (QE), que começou no princípio de Março. A QE impulsionou os fundos de investimento e os mercados obrigacionistas –  o índice do DAX   subiu mais  de 20% desde o início do ano, por exemplo. Mas os bancos representam aqui  um papel bem mais importante  do que os  mercados de capital no que se refere ao  fornecimento de fundos às empresas e aos agregados familiares da zona Euro. E embora emprestar ao sector privado esteja a começar a aumentar  os empréstimos às empresas ainda estão a descer.

Além disso, uma das principais realizações na melhoria da governança da zona Euro, a criação de um único supervisor das operações  bancárias sob a égide do BCE, é uma espada de dois gumes. Em comparação   com os reguladores nacionais complacentes, a pressão é agora maior para que os bancos estejam sólidos: assiste-se  recentemente a uma repressão quanto à utilização de activos de impostos diferidos  (um tipo do crédito para compensar  perdas passadas) para reforçar   as bases de capital  dos bancos nas economias mais fracas de Europa. Embora isto seja bem-vindo  mas o crédito  não tomará a sua trajectória anterior  enquanto os bancos não  repararem as suas próprias contas.

Não esteja eurofórico! - II

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E não nos  esqueçamos da  Grécia. Os mercados ficaram ansiosos   quando começaram as tensões entre o governo de esquerda radical de Alexis Tsipras e o resto da zona euro. A Grécia está a ter enormes problemas de liquidez   para poder  estar confiante de que conseguirá evitar  um “Grexit”. As duras negociações   entre a Grécia e os seus credores europeus sublinham bem   como é difícil conciliar os interesses dos diferentes membros da União Monetária.

Após anos de más notícias pode parecer   grosseiro estar a  depreciar os  sinais de melhores perspectivas.   Países como a Itália (veja o artigo) parecem  ter feito os bem-vindos esforços  para as  reformas; o programa de QE é útil para apoiar a criação de  melhores perspectivas no apoio à  inflação. Mas nem França, a segunda maior economia da zona euro, nem Itália, a  terceira  maior economia   são esperadas   crescer acima dos  1% este ano. E as perspectivas a  mais  longo prazo para a zona euro permanecem  muito sombrias   devido ao endividamento excessivo e ao baixo   crescimento de baixa produtividade, assim como pela ameaça da deflação e da demografia desvantajosa (a população em  idade de trabalhar está a reduzir-se na  Alemanha tão rapidamente   como no  Japão por volta de  2020). De acordo com o FMI, a taxa de crescimento potencial  na zona euro ter-se-á  degradado mesmo desde antes do início da crise financeira de 2007-08 e mais do que nas  outras economias avançadas. Contudo são  bem-vindos os sinais de viragem mas estes não podem   ser confundidos com uma retoma.

The Economist,  Don’t get europhoric, Texto disponível em:

http://www.economist.com/news/leaders/21647970-investors-are-becoming-excited-about-europe-againtoo-excited-dont-get-europhoric

 

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