Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Balanço sobre o Quaternário – Um sector militar em plena expansão
Michel Lhomme, BILAN SUR LE QUATERNAIRE – Un secteur militaire en pleine expansion
Revista Metamag.fr, 20 de Março de 2015
“Quaternário”, é assim que o grande especialista em polemologia Gaston Bouthoul (1896-1980) designava o sector militar em economia, atribuindo-lhe assim o lugar real que este deveria ter nas análises económicas ao lado dos sectores terciário ou secundário.
Assim, sabe-se que em 2014, a Arábia Saudita ultrapassou a Índia tornando-se o primeiro importador mundial de equipamentos militares num mercado cujo volume atingiu um nível recorde, alimentado pelas tensões no Médio Oriente, na Ásia, na África e na Ucrânia. Em 2014, as vendas de armas aumentaram pelo sexto ano consecutivo, atingindo 64,4 mil milhões de dólares, contra 56 mil milhões em 2013, ou seja um aumento de 13,4%, afirma um documento redigido por um dos melhores gabinetes de avaliação militar ao mundo, IHS Janes, sediado em Londres. “Este número recorde foi alimentado por uma procura sem precedentes das economias emergentes por aviões militares e pelo aumento das tensões regionais no Médio Oriente e (na zona) Ásia -Pacífico”, explica Ben Moores, de IHS Janes.
O relatório, que cobre cerca de 65 países, indica que Riade é doravante o maior comprador de armas no mundo, com importações que atingem 6,4 mil milhões de dólares. A Arábia Saudita, segundo importador em 2013, destrona a Índia (5,5 mil milhões) e torna-se ao mesmo tempo o mais importante mercado de armas para os Estados Unidos. As importações sauditas aumentaram de 54%, e aumentarão ainda 52% em 2015 para atingir 9,8 mil milhões de dólares, prossegue o relatório. “Em 2015, um dólar em cada sete era gasto para a compra de armas pela Arábia Saudita”, insiste IHS Janes, sublinhando que “o Médio Oriente é o maior mercado regional” para as vendas de armas, com cerca de 110 mil milhões de dólares de importações potenciais para a próxima década. Por si só, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos importaram 8,6 mil milhões de dólares de equipamentos militares em 2014, ou seja mais que toda a Europa Ocidental.
Do lado das exportações, o relatório nota que com vendas que atingem 23,7 mil milhões de dólares, os Estados Unidos fornecem um terço de todas as exportações (mundiais) e foram o principal beneficiário do crescimento do mercado. A Rússia, que fornece principalmente a China, é o segundo maior exportador de material militar, com vendas que totalizam 10 mil milhões de dólares, ou seja 9% mais que em 2013. Contudo, após anos de crescimento, as exportações russas enfrentam certas dificuldades e uma queda das exportações é encarada em 2015, uma tendência que poderia ser acentuada pelas sanções impostas pelos países ocidentais no âmbito do conflito ucraniano. A queda dos preços do petróleo deveria além disso ter um impacto destrutivo sobre certos clientes de Moscovo, como o Irão e a Venezuela em plena crise interna e escassez alimentar.

Atrás dos Estados Unidos e da Rússia, a França classifica-se no terceiro lugar mundial dos países exportadores de equipamentos de defesa (4,9 mil milhões de dólares), seguida pelo Reino Unido (4,1 mil milhões), pela Alemanha (3,5 mil milhões), pela Itália (1,9 mil milhões), por Israel ((1,7 mil milhões) e pela China (1,5 mil milhões). Mas IHS Janes refere que Pequim, anteriormente o quinto importador de armas mundial, está agora no terceiro lugar. Além disso, a China continua a ter necessidade de uma assistência militar aero-espacial da Rússia mas existe uma certa indefinição quanto às despesas militares chinesas. Os Americanos consideram que estas despesas são minoradas largamente nos números oficiais chineses. O relatório apresenta igualmente a Coreia do Sul, que exportou cerca de 740 milhões de dólares de equipamentos em 2014, como “a estrela ascendente” dos vendedores de armas na Ásia.
No que respeita às empresas exportadoras, o trio da frente é constituído pelos grupos americanos (Boeing, Lockheed Martin e Raytheon), ocupando o 4º lugar o construtor europeu Airbus. Korean Air tinha de resto anunciado, há cerca de dias, ter assinado com Airbus Defesa & Space um acordo para conceberem juntos um novo avião de combate made in Korea destinado à Força Aérea sul-coreana. O projeto “KF-X”, estimado em 8.500 mil milhões de wons (6,7 mil milhões de euros), prevê a construção de 120 caças de classe F-16 destinados a substituir a prazo o F-4 e o F-5, que equipam actualmente a Força Aérea da Coreia. A aliança Korean Air/Airbus deveria propor um avião de concepção totalmente nova, pois os Asas Deltas do Typhoon do consórcio europeu Eurofighter não correspondem ao caderno de encargos fixado pela defesa sul-coreana. Korean Air e Airbus beneficiariam de uma vantagem concorrencial em matéria de transferência de tecnologias, enquanto que face a Airbus e Korean Air se confrontaram o americano Lockheed Martin e Korean Aerospace Indústrias (KAI).
Michel Lhomme, BILAN SUR LE QUATERNAIRE~-Un secteur militaire en pleine expansion, REvista Metamag. Texto disponível em : http://metamag.fr/mobile-2767.html. Gráficos inseridos pelo tradutor a partir de Relatório The IHS Balance of Trade 2014-– The Changing Worldwide Defence Market
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Ver o original em:
http://metamag.fr/metamag-2767-BILAN-SUR-LE-QUATERNAIRE.html




