LIVROS & LIVROS – JOSÉ CARLOS GONZÁLEZ – “CLAVE DE SOL” por Clara Castilho

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José Carlos González Rodríguez (Lisboa 1937 – 2000) foi poeta, escritor, tradutor e técnico da Biblioteca Nacional de Portugal.

Filho de galegos emigrados, iniciou a sua carreira poética aos vinte anos com a publicação de Poemas da Noite Nova. Estudou Direito em Lisboa e Românicas e Ciências Políticas na Sorbonne em Paris, onde também trabalhou de secretário dos herdeiros de Albert Caamus.

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Foto de António Castilho

Na Biblioteca Nacional teve a seu cargo os espólios de Raul Brandão, de Vitorino Nemésio e de Raul Proença.

Organizou, prefaciou e anotou as obras António Sérgio – Correspondência para Raul Proença (1987) e Raul Proença – O Caso da Biblioteca (1988), este em parceria com Daniel Pires. Traduziu obras de Albert Camus, André Malraux, Marguerite Duras e Julien Green, entre outros. Colaborou em vários jornais e revistas, de que se destacam o “Diário de Lisboa”, “A Capital”, a revista “Pirâmide” (1959-1960), “Colóquio/Letras” e “Vértice”.

Mostras da sua poesia, que sempre fora marcada pelo Surrealismo, aparecem recolhidas em várias antologias, tais como: Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa (1979), O Inverno na Poesia Portuguesa (1979) e Cem Sonetos Portugueses (2002).

Obras:

Poemas da Noite Nova (1957); Naufrágio (1960); Isis ou o Cérebro da Noite (1961); A Recompensa da Palavra (1966); Viagem contra o Silêncio (1977); Lisboa e Outros Sapatos (1984); Cartas de Mar e Ar (1984); As Margens Mínimas, A Vida (1985); Idos e Calendas (1986); Clave de Sol (1988); Canto do Corpo Navegante (1990); 70 Poemas – Antologia (1992); Fontefria (Crónicas da Infância e Juventude) (1993); No Alambique Escondido (1996); Odelegias (1997); Fontefria (1999).

No seu livro Clave de Sol, dedicado a compositores, retiramos um poema.

FERNANDO LOPES GRAÇA

Lenda      legenda    e revolta

canto fundo de prisões e desterros

Carpe Diem    Carpe Diem

nos martelos do som

nas foices de ouro

na voz do corpo dum povo

por ti amado e sofrido

por ti cantado longamente.

Coro de todos nós

seara batida por raios

mas erguida pelo sangue.

Edição: Livros Horizonte, 1988

Ilustrações de Maria João Salema

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