Perante as vagas de migrantes/refugiados que procuram a Europa, à procura de uma vida melhor, correndo grandes perigos, chegando muitos deles a perder a vida em situações previsíveis de risco extremo, diversas pessoas, com diferentes pontos de vista, têm posto uma questão fundamental: “Porque será que eles fogem assim da terra deles?”. Não vêm apenas indivíduos isolados, muitos grupos incluem famílias inteiras e provêm do mesmo país ou região. Em certos casos são conhecidas as causas da fuga. A guerra na Síria é uma delas. A seca no Sahel é outra. Contudo há muitas mais situações. Por outro lado, ter notícias do que passa num país ou região é bom, mas é preciso ir mais longe.
É inaceitável continuar a contemplar esta vaga humana, de pessoas em situação desastrosa, e limitar-se a fechar fronteiras, como fazem algumas potências, declarando tratarem-se de assuntos de que não são responsáveis, aliás com o apoio de boa parte da comunicação social. Igualmente inaceitável é derramar lamentações sobre o assunto, encaminhá-lo para conferências e debates, e continuar a empurrar os migrantes/emigrantes de um lado para o outro. É verdade que a história passada e recente diz-nos que muitos dos problemas que tornam impossível a vida em países do Próximo e do Médio Oriente tiveram origem nos dramas da colonização e das disputas territoriais. Também é verdade que os problemas continuaram com os governos que têm tido após a independência. É preciso olhar atentamente para esses problemas e compreendê-los. E não repetir os erros cometidos, como se deu durante as actuações irresponsáveis na Síria e na Líbia, só para citar dois exemplos.
Um dos casos mais graves parece ser o da Eritreia. Este país, situado no chamado Corno de África, com margens para o Mar Vermelho, e uma situação estratégica muito relevante, tem estado, desde que se separou da Etiópia, sob uma ditadura militar severíssima, que se aponta como responsável para a grave situação do país. Issaias Aferweki é chefe do estado, líder do partido único, membro das forças armadas e presidente do parlamento. Claro que caberá à ONU analisar a situação, e não a potências que se julgam superiores aos outros. Deverá haver uma informação clara e isenta, que se procurará fazer aos habitantes do país e a todo o mundo. Só assim se poderá começar a criar condições para que este país, de mais de 6 milhões de habitantes, com mais de 300 emigrantes só em 2014, possa evoluir.
Sobre a Eritreia, propomos que acedam a estes dois links: