Tem início a 25 de Agosto mais uma edição do FUSO – festival anual de video arte internacional de Lisboa. Desta vez é a Lisboa dos jardins, terraços e esplanadas, por vezes distante do público em geral, que abraça as noites de Verão com uma plateia de espreguiçadeiras preparada especialmente para a apresentação de experiências artísticas marcantes da Vídeo Arte.
Cinco dias de viagem pela Vídeo Arte sugerem, anualmente, um percurso temático abrangente fora do contexto habitual de galerias e museus, em espaços ao ar livre, com entrada gratuita.
A par de uma selecção realizada a partir do open call FUSO, com uma programação distinta que divulga a vídeo arte portuguesa, apresentaremos obras, confrontando linguagens já históricas às mais contemporâneas, que cruzam o vídeo, a performance e o cinema, selecionados e apresentados por curadores internacionais que desenharam este programa exclusivamente para o FUSO.
Juntado artistas, curadores, um elevado número de público geral, especialista e responsáveis de grandes colecções de vídeo arte e instituições artísticas nacionais envolvidas nessa pratica contemporânea, veremos obras da América do Norte e do Sul, Europa e Médio Oriente. Ernesto de Sousa, criador nos anos 70 do primeiro evento de vídeo arte em Portugal.
Claustro do Museu Nacional de História Natural // 28 AGO // 22h00 _ FRANÇOISE PARFAIT // SUSPENDED SPACES Apresentação: Françoise Parfait // Duração: 68´
O projecto Suspended Spaces, inaugurado em 2007, é um projecto colectivo e itenerante, que faz escalas em sítios geopolíticos onde a modernidade deixou objectos inacabados. No Chipre, Líbano e actualmente no Brasil os artistas questionam os espaços que estão à espera de “resoluções” politicas, econímicas ou poéticas.
Claustro do Museu Nacional de História Natural // 28 AGO // 23h15_ PAULA LÓPEZ ZAMBRANO // CUT TO VIOLENCE Apresentação: Paula Lopes // Duração:54´
Arte e violência são os dois cortes afiados produzidos simultaneamente por uma faca de dois gumes. Este programa reúne uma selecção de trabalhos vídeo de artistas vindos de diferentes geografias, mas que partilham preocupações semelhantes. Com implicações subtis e efeitos poderosos estes vídeos provocam uma abordagem em direcção à indefinição do sentido, escuridão, visibilidade, e estrago com os seus efeitos recíprocos na reparação. Eles oferecem uma compreensão sobre a relação entre poder e política, ridículo e absurdo, género e violência estrutural.
Nos seus discursos, Martin Luther King disse que violência gera violência, ódio traz um maior ódio. A arte não consegue curar nenhum estrago, por vezes abre velhas feridas, e traz-nos pensamentos que nos fazem sentir mal. A arte pode desafiar a violência, a arte pode re-apresentar a violência, a arte pode também provocar violência ou pode ser violenta. Mas no final, a arte esconde a violência com o seu véu de estética inerente. Daí o título “Cortes de Violência”: peças de vídeo, imagens e sons que confrontam a violência de forma dolorosa e estética, dura e sedutora, nos dois gumes.
CLAUSTRO @ MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL E DA CIÊNCIA // 28 AGOSTO
Rua da Escola Politécnica 58, 1250 Lisboa // +351 213 904 805 // geral@museus.ul.p