EDITORIAL – VAMOS RECEBER 1500 REFUGIADOS. É MESMO? ESTAMOS MESMO DE BRAÇOS ABERTOS!

O Governo está a preparar o acolhimento de 1500 refugiados que Portugal logo editorialvai receber nos próximos dois anos. Espera-se saber qual o perfil para de adaptar “organização logística e disponibilizar os recursos necessários”. Será que o que um camponês precisa é diferente de um licenciado?

Administração Interna, Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Negócios Estrangeiros, Saúde e Educação são os ministérios preparados para trabalhar em conjunto na organização da chegada e acolhimento destes 1500 refugiados de guerra. Dizem notícias que funcionários do ministério dos Negócios Estrangeiros tiveram que regressar de férias para tratar do assunto. Coitados…

Sim, virão, mas com contrapartidas, vêm mas mediante financiamento europeu.

Serão pessoas que se encontram em centros de acolhimento de Itália e Grécia, sírios que, fugidos da guerra no seu país, atravessaram o Mediterrâneo para chegar à Europa. E haverá que distinguir entre os migrantes são pessoas que saem dos seus países para melhorar as suas condições de vida, se quiserem regressar podem fazê-lo e os refugiados são pessoas que fogem de perseguições ou de conflitos armados.

Depois da tragédia de 19 de Abril ficou acordado que os países europeus iam receber um total de 60 mil pessoas, de forma voluntária e o número de pessoas a receber será determinado por cada país. Destes, dois terços, estão neste momento em Itália e na Grécia. E nós…propomos-nos receber 1500 — ou seja, 2,5% do total!

Fora desta crise, aqui entre nós, é o Conselho Português para os Refugiados (CPR), organização não-governamental quem gere os dois centros de acolhimento para quem pede asilo e refugiados. Neste momento, informam que são contactados com ofertas de pessoas que pretendem ajudar, mesmo acolher em suas casas. Para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa poderão ser distribuídas 350 pessoas e para a do Porto, 20, assim como para autarquias que manifestaram disponibilidade para receber refugiados (Sintra, Santarém, Batalha, Oliveira do Hospital e Idanha-a-Nova).

Numa situação anterior, a “operação Kosovo”, em 1999, mais de dois mil kosovares foram acolhidos.  Esperemos que não haja “chicos espertos” a quererem receber estas pessoas, com o objectivo de as explorar, como as notícias de trabalho escravo, mesmo aqui entre nós, nos têm mostrado…

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