Na Gulbenkian – Palco do Grande Auditório – dias 4 às 21,30 e 5 de Setembro às 19,00
OCP: Espírito Radical!
Próximo Futuro
Orquestra de Câmara Portuguesa
Direção e Percussão: Pedro Carneiro
Conceção: António Pinto Ribeiro e Pedro Carneiro
Okho, de Iannis Xenakis
Workers Union (symphonic movement for any loud sounding group of instruments), de Louis Andriessen
A Música tem sido para mim uma extraordinária viagem e um exemplo de democracia e ética: no momento da sua prática todos os músicos em palco são iguais, o seu valor individual é apreciado em função das suas qualidades morais: o compromisso, a preparação, a presença de espírito, a integridade, ética e inteligência com que se exprimem. Os artistas esclarecidos que compõem uma orquestra unem-se com o objetivo de procurar o aperfeiçoamento individual e coletivo, desta forma enriquecendo a humanidade. Foi este um dos motes com que criámos a Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP), em 2007. Sempre apreciei criadores subversivos, provocadores: para estas apresentações especiais (será um “concerto”…?) iremos ouvir (de perto, de muito perto) criações de Xenakis (1922-2001) e Andriessen (n.1939). Okho, escrita em 1989 para três djembés (tambores de porte robusto da África ocidental), em França por este imigrante grego nascido na Roménia – uma encomenda do Estado, para celebrar o 200º aniversário da Revolução Francesa: uma provocação ao espírito colonialista francês? Workers Union foi escrito em 1975. A obra é uma combinação de liberdade individual e disciplina severa; o ritmo é imensamente detalhado; as notas, por outro lado, são indicadas de forma aproximada, uma linha ténue, uma escolha cuidadosa de cada elemento da orquestra. Citando Andriessen: “É difícil tocar num agrupamento com estas diretivas: o mesmo se passa com a organização de uma ação política”. Dessa forma, o público irá igualmente participar, através da leitura, ao vivo, de textos selecionados de Amílcar Cabral e Frantz Fanon. – Pedro Carneiro
Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP)
A direção artística da OCP é assegurada por Pedro Carneiro, que lidera a mais recente e virtuosa geração de instrumentistas. O CCB acolheu a OCP, primeiro como orquestra associada e, desde 2008, como orquestra em residência, desafiando-a para o concerto inaugural das temporadas 2007/08 e 2010/11 e com presença anual nos Dias da Música de Belém, abrindo espaço a novos solistas e maestros. A OCP já trabalhou com os compositores Emmanuel Nunes e Sofia Gubaidulina e tocou com solistas internacionais como Jorge Moyano, Cristina Ortiz, Sergio Tiempo, Gary Hoffman, Filipe-Pinto Ribeiro, Carlos Alves, Heinrich Schiff, Artur Pizarro e António Rosado, entre outros. A internacionalização deu-se em 2010 no City Festival of London, com 4 estrelas no The Times. A OCP tem como visão tornar-se numa das melhores orquestras do mundo, afirmando- se como um projeto com credibilidade e pertinência social e cultural, que nasce de uma ação genuína de cidadania proativa, promovendo diversos projetos sociais inovadores: a OCPsolidária, a OCPdois e a Jovem Orquestra Portuguesa – primeiro representante português na Federação Europeia das Orquestras Nacionais Juvenis . A OCP conta com o apoio de vários parceiros, entre os quais a Linklaters, a Fundação Calouste Gulbenkian, a PwC e os municípios de Lisboa e de Oeiras.
Pedro Carneiro
Considerado pela crítica internacional um dos mais importantes percussionistas e dos mais originais músicos da atualidade Pedro Carneiro toca, dirige, compõe e leciona. Em 2013 foi solista com a Los Angeles Philharmonic sob a direção de Gustavo Dudamel, professor convidado do Zeltzman Festival, dirigiu no Round Top Festival, no Texas, EUA e colaborou com o realizador João Viana. Apresenta-se regularmente como solista convidado de algumas das mais prestigiadas orquestras internacionais: Los Angeles Philharmonic, BBC National Orchestra of Wales, Vienna Chamber Orchestra, – sob a direção de maestros como Gustavo Dudamel, Oliver Knussen, John Neschling e Christian Lindberg. É cofundador, diretor artístico e maestro titular da Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP), que dirigiu no City of London Festival. Foi bolseiro da Fundação Gulbenkian na Guildhall School (Londres), em percussão e direção de orquestra. Seguiu os cursos de direção de Emilio Pomàrico, na Accademia Internazionale della Musica de Milão. Foi Prémio Gulbenkian Arte em 2011.
M/6
Duração: 40 minutos, sem intervalo
Bilheteira
Entrada 16€
Este concerto também se realiza no dia 5 de Setembro.

