BIRAM DAH ABEID: SER PRESO POR LUTAR CONTRA A ESCRAVATURA NA MAURITÂNIA por clara castilho

Diz a organização walkfree ( in https://www.walkfree.org/pt-br/liberta-os-ativistas-na-mauritania/):

“Biram Dah Abeid é um homem formidável. Ele é o ativista líder na luta contra escravidão na Mauritânia, o país com a maior taxa de escravidão no mundo1 A organização que ele fundou, a Iniciativa para o Ressurgimento do Movimento Abolicionista (IRA) 2 tem estado lutando pela liberdade de um numero incontável de homens, mulheres e crianças.

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Hoje Biram está sentado numa cela com outros ativistas por se atrever a protestar contra a existência da escravidão na Mauritânia rural. Junto com seu colega ativista Brahim Bilal ele foi condenado a dois anos de prisão. Precisamos de sua ajuda para garantir justiça para eles.

A Mauritânia proibiu totalmente a escravidão em 2007, mas tem falhado sistematicamente em terminar com ela na prática.3 A responsabilidade de lutar pela liberdade do povo o tem assumido pessoas como Biram.

Enorme pressão internacional agora poderia forçar o governo da Mauritânia priorizar o fim da escravidão, começando com a libertação do Biram e seus colegas ativistas.

Por favor peça ao governo da Mauritânia para que libertam Biram Dah Abeid e os seus colegas ativistas.” A petição pode ser assinada no site e diz:

“Como cidadãos do mundo, acreditamos que a escravidão deve ser completamente abolida em todas as suas formas. Pedimos que vocês façam tudo o que estiver ao alcance para assegurar que o ativista antiescravagista Biram Dah Abeid e seus colegas sejam libertados imediata e incondicionalmente, para que a repressão de abolicionistas chegue ao fim, para que organizações antiescravagistas sejam legalmente reconhecidas, e para que haja um progresso real para acabar com esta crueldade na Mauritânia. Se essas ações não forem tomadas, exigimos que a União Europeia reveja e suspenda pagamentos do Fundo Europeu de Desenvolvimento e que todos os países do mundo a tomem medidas urgentes para acabar com a vergonhosa escravidão do século XXI.”

Biram Dah Abeid r3ecebeu o Prémio dos Direitos do Homem, das Nações Unidas, no ano de 2013. No ano de 2014 foi candidato à presidência do seu país, tendo ficado em 2º lugar. Em Novembro último, durante uma manifestação, foi preso com a acusação de incitação à perturbação e de pertencer a uma organização não reconhecida.

 De facto, a Mauritânia tem o pior regime de escravidão no planeta. Atualmente, até 20% de toda a população é escrava. As pessoas já nascem escravas ou são vendidas, maltratadas, violadas e exploradas. E assim como a escravidão histórica, o regime aqui é racista: quase todos os escravos são da etnia haratin.

A Mauritânia foi o último país do mundo a abolir a escravidão, que só foi criminalizada em 2007. Apesar de ser ilegal, de haver uma lei antiescravagista e políticas públicas para o fim da escravidão, e embora o parlamento tenha acabado de aprovar uma lei considerando a atividade “um crime contra a humanidade”, apenas um senhor de escravos foi condenado até hoje.

Aqueles que desafiam esta prática cruel e ilegal são presos e torturados. Biram lutou contra a escravidão por toda a sua vida, recebeu prêmios de reconhecimento internacional pela ONU e recentemente concorreu à presidência da Mauritânia. Mas o governo negou qualquer tipo de reconhecimento legal à organização que ele dirige e, agora, ele foi posto na prisão por dois anos, apenas por ter falado sobre o assunto publicamente.

 

 

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